"Nacionalização do BPN não foi a primeira hipótese"

O ex-ministro das Finanças disse hoje no Parlamento que nacionalizar o BPN não foi a primeira opção do Governo de José Sócrates, mas que todas as soluções tentadas não deram frutos.

"A nacionalização não foi a primeira hipótese. Procuramos outras decisões, começámos por dar tempo ao banco, com injeções de liquidez. Mas esgotadas estas soluções precisamos de encontrar outras soluções e a hipótese de aquisição do banco colocou-se como alternativa à nacionalização e foi na sequência que a CGD fez uma oferta de aquisição", explicou Teixeira dos Santos na comissão de inquérito parlamentar sobre a nacionalização e privatização do BPN.

"Reconheço que no momento da nacionalização, e as declarações que fiz na altura, foram no sentido de acreditar que teríamos possibilidade de recuperar o banco e que seríamos capazes de recuperar das imparidades, minimizando assim os custos de uma operação dessa natureza", adiantou o antigo governante em resposta ao deputado do BE João Semedo.

Teixeira dos Santos disse ainda afirmou hoje que a privatização acelerada do BPN foi inscrita no memorando da "troika' como alternativa à liquidação do banco, que geraria uma corrida ao levantamento de depósitos, depois de questionado pelo deputado comunista Honório Novo.

Novo considerou muito estranho que tenha sido o próprio Executivo de José Sócrates a sugerir à "troika' "a privatização acelerada" do BPN, tendo adiado sistematicamente a injeção de 500 milhões de euros para a recapitalização deste banco já nacionalizado.

Teixeira dos Santos respondeu então que o Governo de José Sócrates, na elaboração do memorando de assistência financeira ao Estado Português, foi confrontado pela "troika' com um cenário de liquidação do BPN.

"A privatização do BPN não surgiu por espontânea decisão do Governo, surgiu porque a "troika' apontava para um cenário de liquidação do banco. O Governo de então entendeu que o cenário de liquidação do BPN acabaria por ser mais oneroso para o Estado do que um cenário de alienação", disse o ex-ministro socialista, antes de avançar com um segundo argumento.

"Com a liquidação do BPN, a concretizar-se, seriamos confrontados com sérias dificuldades. Tornar público, no âmbito do memorando da "troika", que o BPN seria liquidado, tal suscitaria uma corrida a levantamentos a depósitos do banco - e isso geraria imediatamente um problema de liquidez", alegou Teixeira dos Santos.

Segundo o ex-ministro das Finanças, "como contra proposta à liquidação, surgiu o cenário de uma privatização rápida".

"A "troika" aceitou não se proceder à liquidação do BPN, mas exigiu uma privatização rápida, em curto período de tempo", frisou.

Já em relação à questão de Honório Novo no sentido de se saber o motivo que levou o Governo de Sócrates a adiar a injeção de 500 milhões de euros para recapitalização do BPN, Teixeira dos Santos argumentou que essa operação só seria urgente se estivesse iminente a privatização do banco, o que não aconteceu entre o final de 2010 e o primeiro semestre de 2011.

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