Murteira Nabo diz que "é bom" ter sido um brasileiro a ficar com a TAP

"Para já é um dos países da comunidade da língua portuguesa, é um país com quem nós temos relações bilaterais boas", salienta Murteira Nabo.

O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira, Murteira Nabo, afirmou hoje que "é bom que tenha sido um brasileiro a tomar conta da TAP", aludindo ao consórcio vencedor Gateway da privatização da operadora aérea portuguesa.

O economista Francisco Murteira Nabo falava aos jornalistas em Lisboa, à margem da sessão em que foram homenageados pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira o fundador e presidente do Conselho de Administração do grupo Sonae, Belmiro de Azevedo, e o presidente da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), Frederico Curado.

"É bom que tenha sido um brasileiro a tomar conta da TAP, já que ela vai ser privatizada e que vai para mãos estrangeiras, é bom que seja o Brasil", comentou Murteira Nabo.

"Para já é um dos países da comunidade da língua portuguesa, é um país com quem nós temos relações bilaterais boas, acho que o facto de ser o Brasil há sinergias, complementaridade, há ligações, há amizade, há história, há cultura, língua", disse, apontando que o facto de ter sido um consórcio com um empresário brasileiro a vencer a privatização, isso poderá "induzir" outras empresas brasileiras a fortalecer as relações com Portugal.

O Governo anunciou no passado dia 11 a venda do grupo TAP ao consórcio Gateway, do empresário norte-americano e brasileiro David Neeleman e do empresário português Humberto Pedrosa, cuja assinatura do contrato de compra e venda se realiza a 24 de junho.

"O Brasil tem perdido oportunidades em Portugal, Portugal está a privatizar as suas empresas, está a haver muitos interesses estrangeiros a comprar grandes empresas portuguesas, acho que o Brasil devia aproveitar esse facto", sublinhou.

Enquanto presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira, Murteira Nabo disse que vai trabalhar para que as empresas do Brasil apostem no mercado português.

"Vou fazer para que isso aconteça, nós precisamos de capitais estrangeiros, as nossas grandes empresas estão descapitalizadas, não temos grandes poupanças internas, se vier do Brasil, melhor", disse.

Relativamente às críticas que o Fundo Monetário Internacional (FMI) tem feito sobre Portugal, que aponta a fraca implementação de reformas estruturais e que permanecem riscos orçamentais, recomendando uma série de medidas, nomeadamente na área das pensões e no mercado de trabalho, Murteira Nabo disse não se rever nisso.

"Acho que Portugal fez um bom trabalho na área orçamental, na área financeira, na área de controlo, na área do défice, mas não fez um bom trabalho na área da dívida, e o empobrecimento do país foi enorme, acho que o FMI não tem razão", disse.

Francisco Murteira Nabo explicou que o FMI tem esta posição crítica por duas razões: uma porque "sempre teve essa cultura, muito liberal, ligada à despesa" e a segunda é que "estão a dar um recado" numa altura em que Portugal está à beira das eleições.

Para o economista, o FMI segue uma "estratégia errada" nos países periféricos.

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