Ministro Economia quer maior recurso de empresas à bolsa

O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, afirmou hoje que as empresas portuguesas são das "mais endividadas da Europa" e que é imperioso que diversifiquem as suas fontes de financiamento, nomeadamente recorrendo ao mercado de capitais.

"Se nós olharmos para a estrutura de capitais das nossas empresas [de pequena e média dimensão)] percebemos que são das mais endividadas que temos na Europa, por isso é fundamental que nos próximos anos consigamos diversificar as suas fontes de financiamento", disse o responsável no final de uma reunião em Lisboa.

Santos Pereira promoveu hoje a primeira reunião de balanço em que participaram 17 empresas portuguesas, o presidente da Euronext Lisboa, Luis Laginha de Sousa, o presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliário (CMVM), Carlos Tavares, e a Associação Portuguesa de Bancos (APB), sobre as potenciais soluções para o financiamento das empresas nacionais, incluindo a possibilidade de entrada em bolsa, como forma de diversificarem as fontes de financiamento e reforçarem a estrutura dos seus capitais próprios.

"A reunião foi muito produtiva", disse o ministro, tendo explicado que realizaram um balanço sobre o que "está a correr bem ou mal e dos prós ou contras da entrada em bolsa", que envolveu a Euronext Lisboa, o Governo, a CMVM, as empresas, bem como a APB.

Santos Pereira realçou ainda que há que "trabalhar a médio prazo" na criação de instituições financeiras de desenvolvimento, nomeadamente no que é designado por banco de fomento, mas também ao nível de linhas de crédito de curto prazo e na diversificação das fontes de financiamento recorrendo ao mercado de capitais.

"Não digo que o mercado de capitais vá ser o grande dinamizador do financiamento das empresas, mas tem de ser um dos dinamizadores", disse.

"Alguma coisa não está a correr bem [na captação de empresas para a bolsa] e isso foi motivo de reflexão", disse, adiantando que são precisos "incentivos financeiros e fiscais" que não discriminem as empresas que entrem no mercado de capitais.

Além disso, considerou que é necessário garantir que ao nível financeiro "existam canais que dinamizem a entrada de investidores nacionais e estrangeiros na bolsa" e que os investidores institucionais "olhem de uma forma diferente para a nossa bolsa", o que para o ministro "não tem acontecido nos últimos anos".

O responsável da pasta da Economia e do Emprego portuguesa falou ainda da necessidade de as empresas (PME) serem acompanhadas, num caminho que possibilite que venham a entrar bolsa.

"Eu penso que é fundamental que o pacote de incentivos necessários para que as empresas entrem em Bolsa esteja pronto até o outono, isto é, no último trimestre do ano", sublinhou.

Para Álvaro Santos Pereira, é "fundamental dotar as empresas dos instrumentos necessários para entrarem no mercado de capitais. Penso que era importante que nos próximos seis a um ano começássemos a ver empresas quer na Euronext Lisboa, quer na Alternext", salientou.

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