Merkel e Sarkozy debatem limitação de bónus a gestores

A chanceler Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy reúnem-se na segunda-feira, em Berlim, para preparar a Cimeira do G-20, em fins de Setembro, em Pittsburgh, destinada a tomar medidas contra nova crise económica e financeira.

O governo alemão apoiou entretanto as medidas anunciadas no princípio desta semana pelo Chefe de Estado gaulês para limitar os bónus a gestores da banca.

"Os sistemas de remuneração podem contribuir para elevar os riscos sistémicos que emanam de um banco e a Alemanha já tomou uma série de medidas para evitar excessos nas remunerações de gestores", afirma-se num comunicado publicado na sexta-feira pela chancelaria federal.

Em entrevista ao canal de televisão N24, a chanceler Angela Merkel anunciou que a questão dos bónus "será certamente" um tema central da Cimeira do G-20, "porque é irritante que neste domínio alguns bancos continuem a fazer quase o que já faziam", disse.

Merkel reconheceu que "ainda não há ideias feitas nem programas acabados" sobre a forma de intervenção do Estado nesta área.

No entanto, "não é possível que os bónus sejam muito superiores aos salários-base", observou a chefe do governo alemão.

"Sobretudo é importante que os bónus não sejam pagos de imediato, mas só após um determinado prazo, quando já se souber se a gestão teve sucesso sustentável, ou se o sucesso foi apenas efémero", referiu ainda a chanceler federal.

Sarkozy anunciou, por seu turno, que pretende celebrar com Berlim e com Londrs um compromisso para haver uma iniciativa comum dos três grandes da União Europeia quanto à limitação dos bónus dos gestores, na Cimeira do G-20 de Pittsburh, marcada para 24 e 25 de Setembro.

O ministro das Finanças britânico, Alistair Darling, já admitiu também a possibilidade de legislar contra o pagamento de bónus excessivos a gestores, que será igualmente tema central da reunião dos responsáveis pelo Tesouro dos países do G-20, na próxima semana, em Londres.

Os bancos já advertiram, no entanto, para o risco de um êxodo em massa da 'city' londrina, a praça financeira mais importante da Europa, se o Estado cortar radicalmente os bónus.

Quanto aos EUA, ainda não se pronunciaram sobre a proposta de Sarkozy, mas alguns analistas e gestores não esconderam o seu desagrado.

"Trata-se de uma medida demagógica", disse ao jornal económico alemão Handelsblatt Michael Holland, do Brokerhaus Holland & Co.

O presidente da South Beach Capital Markets, de Miami, Bruce Forster, considerou, em declarações ao mesmo jornal, os planos de Sarkozy "ameaçadores" e disse recear que o presidente Barack Obama "se deixe influenciar pelos sussurros" do chefe de Estado francês na Cimeira do G-20.

"Obama já anteriormente mostrou simpatia por este género de propostas", disse Forster.

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