Merkel anuncia venda da Opel ao consórcio Magna

A chanceler Angela Merkel saudou hoje a decisão da General Motors (GM) de vender a maioria do capital da Opel, que emprega 26 mil trabalhadores na Alemanha, ao consórcio austro-canadiano Magna, a proposta favorecida pelo governo alemão.

"Alegro-me com a decisão, na linha do que o governo desejava, mas também do que desejavam os trabalhadores da Opel", disse Merkel, logo a seguir a um contacto telefónico entre a chancelaria federal e a direcção da GM.

"O recomeço não será fácil, mas estamos optimistas", acrescentou Merkel, que falou também anteriormente com o presidente da comissão de trabalhadores da GM Europa, Klaus Franz, para lhe dar a notícia.

A chanceler admitiu que faltava ainda acertar alguns pormenores, "mas são questões negociáveis", garantiu, pondo de parte a hipótese de haver ainda um recuo de qualquer das partes.

A venda da Opel à Magna é considerada pelos analistas políticos um triunfo importante do governo de coligação, mas sobretudo da própria Angela Merkel, a pouco mais de duas semanas das legislativas de 27 de Setembro.

A escolha da Magna como parceiro estratégico, em detrimento do investidor belga RHJ International, que também ainda estava na corrida, foi tomada na quarta-feira à noite pela administração da GM, em Detroit.

Berlim, que já concedeu à Opel um empréstimo transitório de 1,5 mil milhões de euros, para tentar salvar os 26 mil postos de trabalho da marca na Alemanha, prometeu ainda dar garantias bancárias de 4,5 mil milhões de euros ao fabricante automóvel, caso a GM se decidisse pela Magna.

Na sua proposta, a Magna comprometeu-se a adquirir 55 por cento do capital da Opel, a manter as quatro fábricas existentes na Alemanha, com uma redução de cerca de 2.500 trabalhadores.

Nas restantes unidades de produção da Opel na Polónia, Espanha, Bélgica e Reino Unido (marca Vauxhall), que empregam cerca de 26 mil pessoas, a redução de pessoal atingirá 11600 trabalhadores.

A GM manterá 35 por cento do capital da Opel, e 10 por cento serão adquiridos pelos concessionários europeus e pelos trabalhadores da marca alemã, propôs também o consórcio austro-canadiano.

A Magna é um dos maiores fabricantes de componentes para automóveis, tem cerca de 240 fábricas no mundo inteiro, emprega 70 mil trabalhadores e no ano passado teve um volume de vendas de 23,7 mil milhões de dólares.

A Comissão de Trabalhadores da GM Europa também já se tinha declarado favorável à venda da Opel à Magna, rejeitando a proposta do RHJ, que implicaria a supressão de milhares de postos de trabalho.

As dificuldades da Opel agravaram-se com a falência da GM, que foi salva pelo Estado norte-americano, graças a uma injecção de capital de milhares de milhões de dólares.

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