Meira Fernandes admite que nenhum conceituado economista apoiou o plano Cadilhe

O ex-administrador do Banco Português de Negócios (BPN) Meira Fernandes admitiu hoje que nenhum reputado economista nacional acreditou na viabilidade do plano de 2008 do ex-ministro Miguel Cadilhe para recuperar o banco sem recurso à nacionalização.

Meira Fernandes, administrador do BPN na equipa liderada por Miguel Cadilhe, falava na comissão parlamentar de inquérito sobre a nacionalização e reprivatização do BPN, na sequência de uma pergunta formulada pela deputada socialista Ana Catarina Mendes.

Ana Catarina Mendes perguntou diretamente a Meira Fernandes quantos economistas, em 2008, apoiaram a viabilidade do "plano Cadilhe" para a recuperação do BPN.

Meira Fernandes respondeu: "Provavelmente nenhum".

"Provavelmente, na altura [em 2008], estava toda a gente com a nacionalização, assim como agora está toda a gente contra a nacionalização".

Na sua intervenção, a deputada socialista procurou depois desmontar as críticas antes feitas pelo administrador da equipa de Miguel Cadilhe ao ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos e ao ex-governador do Banco de Portugal, Victor Constâncio.

"Não se pode dizer que, a partir de 2008, não aconteceu nada na Europa ao nível da crise do sistema financeiro e não se pode dizer que o risco sistémico [decorrente da falência do BPN] era um fantasma. Em vários países da Europa houve bancos nacionalizados", observou Ana Catarina Mendes.

Ana Catarina Mendes defendeu ainda que Victor Constâncio, enquanto governador do Banco de Portugal, ao longo de vários anos, levantou um conjunto de processos der contraordenação ao BPN e "entregou um conjunto muito importante de documentos na Procuradoria-Geral da República".

"Não podemos dizer que o governador do Banco de Portugal nada fez e não podemos ignorar que, a partir de 2008, se verificou uma mudança de paradigma ao nível da supervisão financeira internacional", acrescentou.

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