"Mais de 60%" de professores a contestar cortes no primeiro dia

Associação de directores regista "elevada" taxa de participação. Nogueira, da Fenprof, entregou o seu protesto em Coimbra.

A Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) confirmou ontem uma "elevada" participação dos professores na entrega das contestações aos cortes salariais deste mês, apontando para valores "seguramente acima dos 60%". A Federação Nacional dos professores (Fenprof) - cujo líder, Mário Nogueira, também entregou o seu protesto em Coimbra - espera percentagens ainda maiores.

Adalmiro da Fonseca, presidente da ANDAEP e director da Secundária de Oliveira do Douro, explicou ao DN que as suas estimativas se baseiam não só no número de minutas entregues no seu agrupamento mas também nos "contactos mantidos com muitos" dos cerca de 150 directores e subdirectores que integram a associação.

"Seguramente a média terá sido superior aos 60% e em algumas escolas foi bastante superior a essa percentagem", contou, acrescentando que "alguns directores também deram mostras de grande descontentamento" com os cortes, já que "devido à base de incidência da sua redução salarial levar em conta os subsídios de função há casos de directores que ficam a receber menos do que alguns professores".

Ainda assim, admitiu, a resposta a dar a estes requerimentos será sempre negativa: "As escolas são meras intermediárias nesta matéria", explicou, confirmando que a resposta oficial às contestações virá de uma minuta "a fornecer pela Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação" (ver texto em baixo). O DN tentou, sem sucesso, ouvir o presidente do Conselho das Escolas.

Já Mário Nogueira, da Fenprof, defendeu que "apesar de ter sido escolhido o dia 25 [ontem] para o grosso das entregas, estas podem continuar a ser feitas até ao início de Fevereiro", não duvidando que se chegará a "largas dezenas de milhares" de acções.

O sindicalista desvalorizou a previsível rejeição das queixas, lembrando que estas são "um primeiro passo", sendo o próximo o recurso aos tribunais (ver caixa). De resto, Nogueira fez questão de dar o exemplo.

Com a folha de vencimento na mão e a minuta da reclamação já preenchida, o sindicalista deu o primeiro passo, ontem de manhã, para o que considerou mais uma "longa batalha" dos professores portugueses. "Vou sofrer um corte de 7,219%, serão à volta de 200 euros", disse o dirigente sindical, que entregou a sua contestação nos serviços do Agrupamento de Santa Isabel (Coimbra), a cujos quadros pertence.

Ao lado de mais trinta docentes, Mário Nogueira assumiu a importância de entupir as secretarias das escolas contra as reduções salariais a "mais de 115 mil professores. Este é o ponto de partida para um processo contencioso", admite o líder sindical.

Susana Isabel Oliveira, professora na mesma escola há 16 anos, confessou ao DN sentir-se injustiçada. "Lecciono há 16 anos, sou directora de turma, dou aulas de língua portuguesa, faço parte da equipa da biblioteca, faço reuniões com encarregados de educação, é injusto o salário com que vou ficar", acrescentando que ficará com um rendimento de 1200 euros.

À porta daquela escola de Santa Isabel, na Pedrulha, podia ler-se, numa faixa contestatária, em tons de vermelho: "É urgente outra política."

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