Luís Amado quer Alemanha com menos hesitações

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou hoje que a Alemanha tem que "desfazer a hesitação" com que tem liderado o processo político que garantirá a estabilidade do euro e que seria "perigoso" para Portugal "abandonar" a moeda única.

À margem de um seminário na Universidade do Minho, em Guimarães sobre "Gestão num cenário de mudança", Luís Amado definiu o euro como um "processo em refundação" confirmado pelo novo tratado europeu, a entrar em vigo em 2013.

"Este calendário significa um momento de refundação do euro em torno de regras de determinada exigência do ponto de vista de politicas fiscais e orçamentais e do ponto de vista da própria conceção da zona económica da zona euro", explanou.

Este processo, considerou, "precisa de uma liderança forte" que deverá ser assumida, segundo o ex-ministro de José Sócrates, pela Alemanha.

"Esta crise precipitou a confiança e a credibilidade do euro pondo em causa a sua própria existência. A Alemanha tem uma responsabilidade muito grande na liderança de todo o processo político que garanta a estabilidade do euro", apontou.

Posição que o país tem vindo a assumir mas de "forma hesitante", segundo Amado, que considerou que a Alemanha "tem que desfazer rapidamente esta hesitação".

Isto porque, explanou, a "estabilidade do euro não depende apenas das harmonizações de politica fiscal e orçamental mas também depende das condições de convergência entre as economias".

Sobre Portugal, o ex-ministro considerou que o país não pode "abandonar" o projeto de moeda única, afirmando mesmo que tal seria "perigoso" e que Portugal "não pode abandonar 30 anos de trabalho para estar onde está hoje no processo europeu".

Amado reforçou esta convicção dizendo que Portugal "tem que manter" a posição na zona euro de "forma inequívoca" embora, reconheceu, "é um ajustamento violentíssimo".

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