Luís Amado acredita em "compromisso" para liderança do FMI

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, afirmou que é importante para a Europa manter a presidência do Fundo Monetário Internacional e mostrou-se confiante numa solução de compromisso entre europeus, norte-americanos e países emergentes.

"Acho que vai haver uma solução de compromisso. A Europa e os Estados Unidos têm de ceder alguma coisa a médio prazo, no compromisso de reapreciação do papel de cada um dos actores no sistema de Bretton Woods", disse, defendendo que, neste momento, é importante para a Europa manter a presidência do Fundo Monetário Internacional.

"É importante que, neste momento, a Europa saiba impor uma solução que melhor proteja os seus interesses no actual contexto difícil que o sistema financeiro e a economia mundial vivem", acrescentou.

Em declarações à Lusa, pouco antes de participar numa conferência no Convento da Arrábida (Setúbal), sobre "A Europa e a 'primavera árabe'", Luís Amado reconheceu a necessidade de um ajustamento no Sistema Bretton Woods, aprovado na Conferência Monetária e Financeira das Nações Unidas de julho de 1944, que estabeleceu um conjunto de regras para as relações comerciais e financeiras entre os países mais industrializados do mundo.

Para o governante português, esse conjunto de regras deverá ser alterado em função da nova realidade de alguns países, que têm vindo a adquirir uma presença cada vez mais forte na economia mundial, como é o caso, do Brasil e da China, entre outros.

"Essa negociação está em curso no âmbito do G-8 e do G-20", disse, admitindo a necessidade de um compromisso que permita reequilibrar a relação de forças nos diferentes centros de decisão das instituições do Bretton Woods, que hoje é muito diferente do que era em 1944.

O ministro dos Negócios Estrangeiros reafirmou, no entanto, que, na actual situação mundial, é muito importante para a Europa preservar a presidência do Fundo Monetário Internacional.

"É muito importante que a capacidade de entendimento e concertação entre o Fundo Monetário Internacional e as principais instituições europeias continue, como forma não apenas de ajudar a estabilizar a situação do sistema financeiro europeu e do euro, mas também de, em conjunto, contribuírem para a estabilização do sistema financeiro internacional", justificou.

Todos os governos dos países pertencentes à Zona Euro apoiam a candidatura de Christine Lagarde, ministra das Finanças de França, para a liderança do Fundo Monetário Internacional (FMI), revelou na sexta-feira o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker.

Christine Lagarde avançou esta semana com a sua candidatura para suceder a Dominique Strauss-Kahn, que renunciou ao cargo de presidente do FMI na sequência do processo judicial que enfrenta nos Estados Unidos por vários crimes, entre os quais, o de tentativa de violação.

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