Louçã quer contenção nos salários dos gestores públicos

O líder do Bloco de Esquerda (BE), Francisco Louçã, reiterou hoje a necessidade de haver contenção e regras nos salários dos gestores públicos que não deverão receber valores superiores aos do Presidente da República.

"O BE responde a Pedro Passos Coelho, sim, é preciso que haja regras, que haja contenção nos salários excessivos de alguns gestores públicos e que todos eles prestem contas e respondam perante o país, que tem problemas, e o maior de todos é a criação do emprego e uma economia decente", declarou Francisco Louçã, no Funchal. "Que possa haver um presidente da TAP que ganhe 600 mil euros quando, ao mesmo tempo, a TAP, por via de uma empresa sua participada, está a despedir 336 trabalhadores do aeroporto de Faro para depois os substituir por trabalhadores precários, isso diz exactamente o que se passa sobre aqueles que têm a faca e o queijo na mão", disse. "Preferem criar desemprego, precariedade e dificuldades para aquelas famílias daqueles trabalhadores quando têm todo o poder e quando são pagos de uma forma tão exorbitantemente acima do salário do Presidente da República", criticou.

O dirigente bloquista sublinhou ainda que a moção de censura que o partido vai apresentar na Assembleia da República contra o Governo de José Sócrates revela que "há uma esquerda que quer puxar pelo país, que quer puxar pela economia, que quer defender os desempregados e os precários, são dois milhões de pessoas, homens e mulheres, formados, preparados, com qualificações e licenciaturas que não têm nenhuma oportunidade em Portugal". Para Francisco Louçã, o PSD, que classifica como "o braço direito do Governo Sócrates", e o PS "estão aliados na manutenção desta degradação da economia, pretendem responder aos portugueses", dizendo "continue tudo na mesma e tudo na mesma é mais desemprego, é mais dificuldade, é arrastar-se uma crise económica". "O engenheiro José Sócrates está a defender a coligação que tem com o PSD para privatizar os CTT, a coligação que tem com o PSD para fechar os olhos ao desemprego, para facilitar os despedimentos e para promover o trabalho precário e essa coligação arruína o país", disse.

Francisco Louçã visitou hoje o depósito de inertes levados pela enxurrada de 20 de Fevereiro de 2010 e que o Governo Regional quer aproveitar para criar um novo cais de acostagem de barcos de recreio. "Um ano depois, está-se a utilizar dinheiro para a construção de um cais e de um aterro com estas dimensões quando ainda não se cuidou daquilo que era prioritário - reconstruir as casas, limpar as ribeiras, garantir que a baixa do Funchal não seja inundada sempre que há uma chuvada forte, proteger as pessoas", referiu. "Em contrapartida, Alberto João Jardim está a desperdiçar dinheiro numa obra que não tem consistência técnica quando era essencial responder às pessoas", acrescentou. "Ora, o que vemos, aqui, na Madeira, neste desperdício de 40 milhões de euros para fazer uma obra quando não se está a cuidar das pessoas, é o mesmo que se vê em muitas empresas e em muitas gestões de fundos públicos que o PSD não quer alterar e quer manter", considerou.

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