Juros aliviam a 2 e a 10 anos em Portugal

Os juros da dívida soberana portuguesa seguem hoje a aliviar a dois e 10 anos, mas em ligeira alta a cinco anos, no dia em que o Eurogrupo deverá "carimbar" o segundo pacote de ajuda à Grécia.

Cerca das 09:00, os investidores pediam um juro, a dois anos, de 12,541 por cento para comprar dívida soberana portuguesa (contra os 12,758 por cento de sexta-feira), segundo a agência de informação financeira Bloomberg.

A cinco anos, os juros seguiam ligeiramente pressionados nos 16,421 por cento (contra os 16,419 de sexta-feira).

Já a 10 anos, os juros exigidos para transacionar dívida portuguesa no mercado secundário situavam-se nos 13,707 por cento, abaixo dos 13,849 por cento de sexta-feira.

Na Grécia, os juros seguem no mercado secundário a aliviar a dois anos, mas a subir a cinco e a 10 anos.

Os ministros das Finanças da zona euro deverão, hoje em Bruxelas, validar em definitivo o segundo programa de ajuda à Grécia, depois de Atenas ter acordado com os seus credores privados a maior operação de sempre de reestruturação da dívida.

Na última sexta-feira, a Grécia evitou a bancarrota ao alcançar um acordo para a participação dos seus credores privados na operação de um perdão de dívida, dando assim o passo que faltava para que os seus parceiros da zona euro libertem o segundo resgate a Atenas, também sem precedentes, na ordem dos 130 mil milhões de euros.

Embora não faça parte da agenda oficial da reunião de hoje do Eurogrupo, é provável que seja discutida a questão de Espanha, depois de o governo presidido por Mariano Rajoy ter fixado o objetivo de défice para este ano nos 5,8 por cento (contra os 4,4 inicialmente previstos), um anúncio que apanhou de surpresa os seus parceiros e a própria Comissão Europeia.

De acordo com uma fonte governamental ouvida no domingo pela Bloomberg, o Governo espanhol quer aproveitar a reunião de hoje para esclarecer eventuais equívocos relativos às novas metas de redução do défice, explicando as razões que levaram à derrapagem do valor do défice, no ano passado, e garantindo que, em 2013, o desequilíbrio das contas públicas deverá ficar nos 3 por cento do PIB, o limite permitido pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento.

No encontro participará o ministro das Finanças português, Vítor Gaspar, que marcará também presença na reunião alargada a 27 na terça-feira (Ecofin), na qual haverá lugar a um debate público sobre a proposta de passar a taxar as transações financeiras, um imposto que segundo os cálculos de Bruxelas poderia render um montante na ordem dos 60 mil milhões de euros anuais.

Juros da dívida soberana em Portugal, Grécia, Itália e Espanha, pelas 09:00:

2 anos....5 anos...10 anos

Portugal

12/03..... 12,541... 16,421...13,707

09/03..... 12,758... 16,419...13,849

Grécia

12/03..... 225,12....61,185....36,562

09/03..... 247,33.. 61,145....36,551

Itália

12/03...... 1,923.....3,578....4,823

09/03...... 1,921.... 3,571....4,836

Espanha

12/03......2,335......3,581....5,013

09/03......2,326..... 3,578....4,999

Fonte: Bloomberg Valores de bid (juros exigidos pelos investidores para comprarem dívida) que compara com fecho da última sessão.