João Duque diz que taxa de juro de 6% "não é nada má"

O economista João Duque considera que os juros de cerca de 6 por cento que a Comissão Europeia deverá cobrar a Portugal pela sua fatia da ajuda ao país são aceitáveis, sobretudo levando em conta os juros exigidos no mercado.

"A taxa que se fala de 6 por cento não é nada má. A alternativa era Portugal ir ao mercado buscar financiamento a 12 por cento", disse à agência Lusa o presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).

Duque acrescentou que a fasquia de 6 por cento não poderia ser baixada "para que os países incumpridores não julguem que isto é uma república das bananas", sublinhando que "a Alemanha paga uma taxa de 3 por cento. Portugal quer pagar uma taxa igual à que a Alemanha paga? Não pode ser".

O economista defende que a taxa aplicada aos países alvo de intervenção (Grécia, Irlanda e, agora, Portugal) "penaliza o incumprimento e impõe que estes países entrem nos eixos rapidamente".

Duque é da opinião que caso a taxa de juro cobrada no âmbito dos pacotes de resgate financeiro fosse mais baixa, qualquer país poderia incumprir, recorrendo depois à ajuda sem ter que fazer um esforço significativo.

"Uma taxa de 6 por cento não é nada má. Fica, inclusive, abaixo da barreira dos 7 por cento que o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, referiu há alguns meses", salientou.

Quanto aos juros que serão encaixados por Bruxelas pela sua parte do apoio financeiro a Portugal, Duque considera que "vão servir para constituir um pé de meia".

Portugal vai receber um empréstimo de 78 mil milhões de euros nos próximos três anos ao abrigo de um acordo de ajuda financeira com o Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia, ficando obrigado a aprovar um conjunto de medidas para reduzir os gastos do Estado que abrangem diversos sectores.

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