Irlanda sai do resgate sem programa cautelar, diz PM

O Governo irlandês anunciou hoje que o país pretende sair do resgate da troika (FMI, Comissão Europeia e BCE) sem recorrer a um programa cautelar de linhas de crédito. A decisão final, diz o site da televisão pública RTE, ficou finalizada esta manhã após a reunião do Governo liderado por Enda Kenny. A Irlanda sairá do programa de ajustamento da 'troika' a 15 de dezembro.

Em declarações no Dáil (Parlamento irlandês), Kenny declarou: "É a decisão certa para a Irlanda. Sairemos do resgate numa posição forte". O Taioseach (primeiro-ministro irlandês) afirmou que a Irlanda encontra-se agora em posição de se financiar a si própria nos mercados e a agência de gestão do tesouro teve de criar uma reserva de dinheiro de até 20 mil milhões de euros, refere o site da RTE.

"Temos um longo caminho para percorrer mas estamos claramente a ir na direção certa", acrescentou Kenny (do partido Fine Gael), que descreveu este como um "passo significativo" na direção da recuperação económica.

Um comunicado das Finanças confirmou as afirmações do chefe do Governo irlandês. "Após uma avaliação cuidadosa e completa de todas as opções disponíveis (...) O governo irlandês decidiu hoje que a Irlanda deixará o programa de assistência da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) em dezembro sem recorrer a um programa cautelar", refere um comunicado, hoje citado pela Lusa.

O anúncio foi classificado como "histórico" por Eamon Gilmore, Tánaiste (vice-primeiro-ministro irlandês) e líder do partido Labour. No entanto, o parceiro de coligação de Kenny sublinhou: "Não haverá festejos até que a nossa economia esteja totalmente recuperada".

O líder do Fianna Fáil (partido na oposição), Micheál Martin, mostrou-se cauteloso e disse ser preciso esperar ainda para saber as razões pelas quais o Governo diz que a Irlanda não vai precisar de um programa cautelar quando a troika sair a 15 de dezembro.

Enda Kenny é primeiro-ministro da Irlanda desde março de 2011, depois de o seu partido ter vencido as eleições antecipadas. Brian Cowen, do Fianna Fáil, primeiro-ministro que fez o pedido de resgate à troika, demitira-se em janeiro de 2011.

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