Teixeira dos Santos duvida que governo não interveio no BES

Em entrevista à RTP, o ex-ministro das Finanças defendeu ainda que o governo português não tem condições para gerir as mudanças que se avizinham na política económica europeia.

O último ministro das Finanças do governo de José Sócrates falou da atual detentora da pasta, da papel do governo face às "mudanças" na Europa e da queda do Banco Espírito Santo (BES).

Em relação ao BES, Fernando Teixeira dos Santos, disse não ser certo que o governo não teve nenhuma ação. "Mas tem a certeza que não interveio? Eu não tenho a certeza que não interveio", respondeu à pergunta se o governo tinha feito bem em não intervir no banco.

Lembrando ainda que a solução apresentada pelo Banco de Portugal só foi possível porque "o governo aprovou um decreto-lei que transpôs normas europeias para a nossa legislação" e essa aprovação foi feita "com urgência", "sem ter sequer sido anunciada no comunicado final do conselho de ministros", tendo sido o decreto publicado no dia seguinte, sexta-feira. Assim, "dizer que o governo não interveio, é difícil".

Para o antecessor de Vítor Gaspar, o governo não tem condições para gerir as mudanças que se avizinha na Europa, por ter estado alinhado com a austeridade. "Não pode agora mudar e acabar por vir a censurar aquilo que fez nos anos anteriores", justificou.

"A Europa está a dar sinais de que é preciso fazer uma mudança" e o facto de a Grécia reclamar uma mudança, veio criar uma conjugação de vontades, apontou na entrevista de ontem à noite Teixeira dos Santos.

Numa avaliação à atual ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, considera que esta "tem uma melhor perceção", que o seu antecessor Vítor Gaspar, do que deve ser a "gestão política da sua imagem", beneficiando ainda de "uma conjuntura externa que tem beneficiado o país".

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