Teixeira dos Santos diz que modelo económico da Grécia não é sustentável

O ex-ministro das Finanças considera que o problema não é a Grécia, mas sim a Europa. E avisa que, se os gregos deixarem o euro, os mercados podem virar-se contra o próximo elo mais fraco: Portugal.

Para o ex-ministro das Finanças português Teixeira do Santos, o modelo económico grego não é sustentável. E a dívida atual do país também não. Numa entrevista publicada este sábado pelo jornal brasileiro Folha de São Paulo, o antigo governante assume que a Grécia precisa de ajuda e refere que é importante que o governo recupere a confiança da população, uma vez que o novo pacote vai impôr medidas de austeridade muito duras.

"Se não há confiança as pessoas não investem, não consomem. Continuam a ter medo do futuro" salientou Teixeira dos Santos, em declarações à Folha de São Paulo.

Mas o ex-ministro disse também que apesar de se falar muito nas medidas de austeridade, isso não é o mais importante. "Essencialmente o que importa é saber que tipo de modelo económico a Grécia vai ter, quais serão os pilares do seu dinamismo económico e a fórmula como vai, sob o ponto de vista institucional, organizar-se no domínio da administração pública, da regulação dos mercados e das opções políticas nos mais variados mercados."

Para Teixeira dos Santos, o problema não está só na Grécia, mas em toda a zona Euro. O antigo ministro defende que a solução não passa pela caridade, mas questiona se não fará sentido implementar, na Europa, um plano à semelhança do Plano Marshall (plano criado pelos EUA para a reconstrução dos países aliados após a II Guerra Mundial). Ou seja, definir instrumentos e meios para que os países mais debilitados se possam erguer, com ajuda de parceiros mas tendo a sua autonomia.

Teixeira dos Santos acredita também que a Grécia precisa de um perdão parcial da dívida, uma vez que dívida grega está atualmente perto dos 180% do Produto Interno Bruto. "A Grécia terá muitas dificuldades em cumprir o programa que agora foi acordado se não tiver um alívio dessa situação", afirmou.

Teixeira do Santos disse ainda que, pesar de a situação em Portugal ser diferente da situação grega, o perigo de contágio é iminente. Se a Grécia sair do Euro, os mercados podem virar-se contra para Portugal: "A partir do momento em que numa situação de crise deixamos cair um dos membros do Euro, não estou certo que os mercados não procurem atacar o próximo elo mais fraco."

Para o ex-ministro de José Sócrates, a saída da Grécia do euro representaria o fim de todo o projeto da União Europeia e levaria a que se abrissem precedentes, fazendo com que a saída do Euro passasse a ser solução para os problemas da dívida. Teixeira dos Santos acrescenta ser necessário repensar a Europa, pois hoje existe "um vazio a nível europeu que tem permitido que as agendas políticas nacionais acabem por se sobrepor e dominar as preocupações europeias."

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