TAP: Governo diz que não há mais nada para negociar. E destaca número de voos realizados

O ministro da Economia, António Pires de Lima, afirmou esta noite que "não há memória" de uma adesão tão baixa numa greve como a que está a decorrer na TAP.

O Governo fez esta noite o balanço do primeiro de dez dias de greve dos pilotos da TAP, destacando o elevado número de voos realizados - 70% até às 17:00, tendo sido transportados 80% dos passageiros com viagens marcadas. O ministro da Economia, António Pires de Lima, garantiu ainda que o tempo para negociações já passou.

No total da operação da marca TAP - que inclui a Portugália, - realizaram-se 83% dos voos.

"O facto de os pilotos estarem a trabalhar não significa que estejam do lado do Governo", disse Pires de Lima. "Estão genuinamente preocupados, e fazem bem, com o futuro da TAP".

Nesse sentido, considerou, "todos os portugueses que gostam da TAP estão agradecidos para com os pilotos que vieram trabalhar".

Afirmando que foram realizados todos os voos de longo curso previstos para hoje - Angola, Brasil e EUA -, Pires de Lima apelou a todos os pilotos para que assegurem também "os percursos de curto curso" nos próximos dias.

O governante reiterou que esta greve põe em causa o futuro da empresa, mas recusou a ideia de estar de alguma forma a pressionar os trabalhadores da empresa. "Esta é uma greve convocada para 10 dias, não há memória... Não se trata de fazer pressão sobre ninguém, trata-se de chamar à atenção aqueles que têm responsabilidades", disse.

Até porque, acrescentou, neste momento "não há nada para negociar".

"A partir do momento em que o sindicato não cumpriu o acordo que negociámos a 23 de dezembro, não há mais nada para negociar", disse.

No mesmo sentido foram as declarações do presidente da transportadora aérea, que estivera em reunião com o ministro. Fernando Pinto assumiu mesmo ter ontem sido "surpreendido quando veio a informação de que não tinha sido aceite tudo o que tinha sido acordado" durante as reuniões com os sindicatos.

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