Reunir com a 'troika' "não serve para nada"

O presidente da Confederação do Comércio, João Vieira Lopes, mostrou-se hoje desiludido com a reunião entre os parceiros sociais e a 'troika', considerando que as propostas apresentadas por patrões e sindicatos não servem para nada.

"Isto é uma simples audição. Aquilo que os parceiros sociais aqui dizem não serve para nada", disse João Vieira Lopes à saída de uma reunião no âmbito da 10ª. avaliação do programa de resgate de Portugal.

O líder da Confederação do Comércio adiantou que os representantes da 'troika (formada pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) se reconheceram nas palavras da diretora do FMI, mas garantiram que o programa está a funcionar bem.

A diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, admitiu na terça-feira que a instituição errou quanto aos efeitos da austeridade nos países europeus em maiores dificuldades.

Lagarde falava no Parlamento Europeu no Comité Económico e Social Europeu, um órgão consultivo da União Europeia (UE), onde defendeu que a crise económica não acabou e pressionou os países europeus a adotarem as reformas necessárias, como a união bancária.

Questionada sobre as consequências das políticas de austeridade recomendadas pelo FMI na situação económica e social dos países em maiores dificuldades, reconheceu que a instituição errou na hora de calcular esses efeitos no desemprego e no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). "Como resultado demo-nos conta que era necessário mais tempo para a aplicação dos programas a países (resgatados como é o caso da Grécia e Portugal)", apontou.

"Foi-nos dito que este programa serve para restabelecer a ida [de Portugal] aos mercados", explicou hoje João Vieira Lopes, adiantando ter lembrado "que as taxas de juro são incomportáveis e não permitem às empresas financiarem-se a preços aceitáveis".

João Vieira Lopes adiantou ainda que o representante do BCE falou hoje pela primeira vez numa reunião com parceiros sociais para defender que a 'troika' deveria emprestar dinheiro a bancos e não a países porque estes constituem maior perigo.

"É uma postura peculiar", considerou João Vieira Lopes.

Os parceiros sociais estiveram reunidos hoje, desde as 10 horas, com os representantes da 'troika' na sede do Conselho Económico e Social, no âmbito da 10.ª avaliação do Programa de Assistência Económica e Financeira a Portugal.

Cada confederação teve cerca de 10 minutos para uma intervenção inicial perante a 'troika', cujos representantes estão em Portugal desde o dia 4 para o antepenúltimo exame regular ao programa de ajustamento.