Privatização da Transtejo é erro que não resolve problemas

O coordenador da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (FECTRANS) considerou hoje que o lançamento da consulta pública para a concessão a privados do grupo Transtejo é um "erro" que não vai resolver os problemas.

"Penso que depois dos resultados eleitorais da noite de domingo o Governo devia refletir sobre as políticas que tem vindo a seguir. Esta informação é uma péssima notícia e mais um passo errado deste Governo", disse José Manuel Oliveira.

O Governo vai lançar esta semana a consulta pública para a concessão a privados das empresas Soflusa e Transtejo, disse hoje à Lusa fonte governamental.

As duas empresas fazem parte do grupo Transtejo, que é responsável por todas as ligações fluviais no rio Tejo entre a margem sul e Lisboa e eram as únicas, das que vão ser concessionadas, que ainda não tinham sido alvo de uma consulta pública - período para surgimento de eventuais interessados.

"Já se sabe que a privatização não resolve os problemas das empresas de transportes, que são as dívidas. O Governo já disse que o objetivo é concessionar as operações, que é a parte que dá lucro, dando depois apoios para a exploração", salientou o dirigente sindical.

José Manuel Oliveira referiu que o Estado vai ter de continuar a pagar ou então os preços dos títulos de transporte têm de aumentar.

"As empresas privadas querem lucro. Ou o Estado paga a diferença entre as receitas e os custos ou então aumenta muito os preços dos bilhetes, o que vai afastar as pessoas dos transportes públicos", concluiu.

Além da Soflusa e da Transtejo, o Governo vai concessionar também a Carris e o Metropolitano de Lisboa e a Sociedade de Transportes Coletivos do Porto e o Metro do Porto.

Segundo o calendário do Governo, o concurso público para a concessão da Carris e do Metropolitano de Lisboa vai ser lançado até ao final do mês de junho.

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