Pilotos da TAP mantêm greve de 10 dias. "Há matérias em que não podemos ceder", dizem

Encontro do Sindicato dos pilotos com administração da TAP, esta tarde, foi a última tentativa para cancelar a paralisação, que começa à meia-noite.

Os pilotos da TAP mantêm a decisão de avançar para a greve de dez dias. "Os pilotos e trabalhadores não podem continuar reféns da gestão ruinosa e da falta de coragem política", afirmou Hélder Santinhos, do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) em conferência de imprensa, realizada às 20h00.

"A responsabilidade do estado atual da TAP não é dos trabalhadores", disse. "Pilotos e trabalhadores da TAP estão cansados de pagar por erros que não são seus. Não aceitam que Governo faça mais concessões", acrescentou o responsável, que considerou que os três meses de negociações com o Governo e administração da empresa eram "um logro".

Esta conferência de imprensa aconteceu pouco depois de uma última tentativa para resolver o impasse, numa reunião entre o Sindicato e o presidente da TAP, Fernando Pinto, que aconteceu esta tarde.

"Apresentámos todos os cenários possíveis, mas parece que a única solução é abdicarmos de tudo", considerou Hélder Santinhos, para quem a administração da TAP se mostrou irredutível. "Há matérias em que não podemos ceder, nomeadamente em relação às condições de trabalho", acrescentou.

"Uma greve nunca é oportuna. Cá estaremos para assumir as responsabildades", frisou.

O sindicalista mostrou-se otimista relativamente à adesão à greve, esperando que esta ronde os 90%.

O Governo reagiu, pelas 20h30, através do ministro da Economia, António Pires de Lima. Este pediu aos pilotos para que não adiram à greve, reiterando as "graves consequências" que esta tem para a empresa e para o país.

Na convocatória para a conferência de imprensa, lia-se que os pilotos "compreendem que está em causa o seu futuro" e por isso não lhes resta alternativa "senão combater a irresponsabilidade e o radicalismo do Governo e da TAP". Ou seja, davam indicações de que pretendendiam manter a paralisação, agendada para de 1 a 10 de maio.

Do lado do Governo, por seu lado, houve hoje mais apelos para que a greve fosse cancelada, desde o vice-primeiro-ministro Paulo Portas, ao ministro da presidência, Luís Marques Guedes. Também Cavaco Silva se pronunciou sobre a paralisação, alertando que esta poderia provocar despedimentos.

No início da semana, o presidente da TAP havia dito em conferência de imprensa que a empresa tinha feito tudo ao seu alcance para que a greve não fosse em frente. Fernando Pinto garantiu que "houve um grande empenho da empresa para que a greve fosse cancelada" e lamentou que a paralisação se mantenha agendada. "Concedemos mais do que deveríamos", afirmou.

Cerca de 3.000 voos e 300 mil passageiros poderão ser afetados pela greve de dez dias dos pilotos.

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