Para a TAP crescer é preciso contratar e não despedir

O empresário German Efromovich defendeu hoje que não há razão para os trabalhadores da TAP estarem preocupados com a privatização, realçando que o crescimento da companhia aérea, pela mão do grupo Synergy, vai potenciar a criação de postos de trabalho.

"Se vamos crescer, precisamos de admitir gente e não de despedir, a não ser que tenha um monte de pessoas sem fazer nada. Quem está lá para trabalhar vai continuar", afirmou o dono do grupo Synergy, único candidato à compra da companhia aérea portuguesa, que entregou a proposta final na passada sexta-feira.

Em entrevista à Lusa, na sede da Avianca, na capital da Colômbia, Efromovich ressalvou que hoje, no atual contexto, ninguém pode "garantir absolutamente nada" em termos de postos de trabalho, considerando que "quem garante não é honesto".

"Mas vou dar um exemplo: quando entrámos nesta companhia [Avianca], todo o mundo tinha medo. Começámos com 4.700 funcionários e agora estamos com 17.000", acrescentou.

O empresário defendeu que as oportunidades da privatização da TAP "não podem causar constrangimentos. Só podem causar satisfação", algo que, contou, tem sentido quando viaja pela TAP.

"Tenho conversado com tripulantes e pilotos da TAP, porque reconhecem-me quando entro nos aviões. As pessoas fazem perguntas e até agora não ouvi nenhum comentário negativo, até pelo contrário", disse.

Sobre a administração da TAP, liderada por Fernando Pinto, o empresário elogiou o trabalho e, sobretudo a capacidade de contornar a falta de investimento na companhia pelo acionista Estado, escusando-se a expor os planos após a privatização.

"A administração fez um excelente trabalho para quem não teve investimento e teve que se virar sozinha. Se não se põe dinheiro, a companhia não anda", disse.

Admitindo que "é uma boa administração", sublinhou que a sua continuidade à frente da TAP tem que ser decidida por mútuo acordo: "Para fazer amor é preciso dois".

Confrontado com a disponibilidade já demonstrada por Fernando Pinto para continuar, pelo menos na fase de transição, à frente da companhia portuguesa, German Efromovich adiantou que "a primeira coisa é ver se os atuais administradores aceitam o modo de operar [da Synergy]".

A análise dos vários dossiês e números da TAP, que se realizou nas últimas seis semanas, foi uma surpresa agradável, disse, referindo apenas "alguns problemas por falta de investimentos", visíveis na idade da frota.

"Ficámos surpreendidos agradavelmente. A TAP está bem 'enxuta', é eficiente e os indicadores são muito bons. Detetámos alguns problemas por falta de investimento", resumiu.

Segundo o empresário, "a vida média dos aviões da TAP está em torno de 10 ou 12 anos, o que significa que está na hora de mudar, porque hoje já existem aviões mais eficientes e mais confortáveis".