Número de pensões de sobrevivência que terão corte de 10% será reduzido

O secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, afirmou hoje que o número de pensões de sobrevivência que terão uma redução de 10% no âmbito da convergência do regime de pensões será muito reduzido.

"Ao recalcularmos a pensão de reforma, automaticamente, as pensões de sobrevivência que lhes estão associadas [aos pensionistas] são recalculadas. A pensão de sobrevivência decorre de uma percentagem da pensão de reforma", disse Rosalino aos jornalistas à margem do debate no Parlamento sobre a convergência de pensões do regime geral de Segurança Social e da Caixa Geral de Aposentação (CGA).

Segundo exemplificou, "um pensionista que tem uma pensão de mil euros quando morre gera uma pensão de sobrevivência de 500 euros. À pensão original, que será recalculada, em decorrência resulta uma diferença também na pensão de sobrevivência. Nunca há de ser de 10%", disse o governante.

"O corte de 50% é sobre o total, logo, é um corte inferior. Será muito inferior a 10% porque a correção é feita sobre a reforma original", afirmou Hélder Rosalino.

A proposta de lei que foi hoje discutida no Parlamento regula a forma de convergência do sistema de pensões do setor público para o regime privado e, neste âmbito, prevê que as pensões de sobrevivência acima de 419,22 euros sofram um corte de cerca de 10%. Mas, paralelamente, o Governo, no âmbito do Orçamento para 2014 determinou que os beneficiários, do setor público ou do regime geral, que acumulem pensões de sobrevivência com outras reformas também sofram um corte quando a soma das duas ultrapasse os dois mil euros, não tendo ficado ainda esclarecido se estes cortes são cumulativos.

Neste caso, no âmbito do Orçamento do Estado para o próximo ano, Hélder Rosalino admitiu que "a mesma pensão pode ser afetada duas vezes".

"Alguém que tenha uma pensão própria de 2.500 euros e uma de sobrevivência de 300 euros, tem 2.800 euros, logo, cai na norma. Neste caso, o que vai ser corrigido é a pensão de 300 euros, ou seja, a pensão de 300 euros leva uma correção de acordo com a tabela que está na lei do Orçamento", referiu o secretário de Estado.

Relativamente à existência de um limite, Hélder Rosalino declarou que "não há limite nenhum, o único limite que há é o dos 419 euros porque os 2.000 euros não são o limite para a pensão de sobrevivência", mas para a cumulação das duas pensões - pensão de reforma e pensão de sobrevivência.

"Pode a mesma pensão ser afetada duas vezes? Pode, mas não é por causa do limite dos 419 euros, mas 2.000 euros", exclamou.

Para evitar este efeito de dupla penalização, Hélder Rosalino referiu o que havia dito aos deputados no hemiciclo: "Quando discutirmos a proposta do Orçamento, estamos disponíveis para estabelecer essa norma que salvaguarde um segundo corte sobre a pensão de sobrevivência".

"É na regra da pensão de sobrevivência do Orçamento do Estado para 2014 que tem de se criar um mecanismo, mas será sempre residual, marginal", concluiu.

A pensão de sobrevivência atualmente atribuída é, no regime geral de Segurança Social e Regime Convergente de Proteção Social (RCPS), relativo aos funcionários públicos desde 2006, 60% da pensão que lhe dá origem.

Na Caixa Geral de Aposentações (CGA) esse valor é atualmente de 50%.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.