Novos donos de Vilamoura querem "resort líder da Europa" pronto até 2020

A Vilamoura World, braço executivo do fundo Lone Star, vai gerir o projeto, que implica um investimento de mil milhões de euros.

Está tudo pronto para ressuscitar Vilamoura. O fundo norte-americano Lone Star assumiu o controlo de um dos maiores empreendimentos turísticos do Algarve em abril e apresentou ontem um plano de urbanização que implica um investimento de mil milhões de euros. Se tudo correr como planeado, a nova Vilamoura estará pronta, no máximo, até 2020.

"Vilamoura is back in business". A promessa foi de Paul Taylor, diretor executivo da Vilamoura World, que será o braço executivo da Lone Star em Portugal. O objetivo, adiantou, é fazer de uma das zonas mais concorridas do Algarve, que recebe 500 mil visitantes todos os anos, "um resort líder da Europa" e, de preferência, "em não mais do que cinco anos". As equipas já estão no terreno e as construções deverão arrancar entre o final de 2017 e o início de 2018.

O resort de Vilamoura abrange 1700 hectares, mas os norte-americanos, que o compraram aos espanhóis da Lusort por 200 milhões de euros, só vão desenvolver e gerir 400 hectares. Destes, 680 mil metros quadrados (cerca de 17% da área) estão destinados a construção "de baixa densidade". O plano prevê a construção de 18 projetos, distribuídos por seis temas: Marina, Golf, Active, Villages, Estates e Vilamoura Lakes. Cinco projetos já estão prontos para venda. Quando a construção terminar, os turistas e habitantes de Vilamoura poderão contar com complexos desportivos, parques, novas ofertas de retalho e restauração, empreendimentos turísticos com 3600 novas camas e 1900 unidades residenciais.

Para a Lone Star, não podia ser mais promissor. "Em que parte da Europa pós-crise encontramos 700 mil metros quadrados já com aprovação para construção? Em Vilamoura", diz Paul Taylor. Além disso, o timing é propício a investimento. "Portugal está em recuperação, todos os indicadores nos dizem que o país vai sair-se bem", sublinhou o responsável. Já para o governo português, este é um anúncio que vem na melhor altura possível, a menos de um mês das eleições. "Mil milhões é um investimento que vai fazer a diferença em Portugal, no turismo e no Algarve, e que só é possível com esta relevância porque a Lone Star tem confiança no país e na sustentabilidade da nossa economia", salientou o ministro da Economia, Pires de Lima. "Só investe com esta ordem de grandeza quem confia em nós e sabe que Portugal é um país previsível", acrescentou.

Agora, resta saber se, ao contrário do que aconteceu no passado, todos os projetos irão para a frente. É que, apesar de o fundo norte--americano ter anunciado o investimento de mil milhões, não será a Lone Star a suportar este montante na totalidade. "Estamos a investir neste projeto, mas, ao mesmo tempo, estamos a falar com investidores de todo o mundo, para se juntarem ao nosso projeto", explicou o CEO da Vilamoura World, adiantando que já foram contactados investidores da China, Índia, Hong Kong, e vários países da Europa, como Suécia, França e Dinamarca. Paul Taylor não adiantou nomes, mas garantiu que já há manifestações de interesse. Do bolo de mil milhões, o montante investido pela Lone Star vai, assim, depender da procura de investidores.

Adeus Cidade Lacustre. Olá Lakes

Estávamos em 2005 quando o grupo espanhol Plasa anunciava um dos maiores projetos turísticos de sempre. A Cidade Lacustre, uma espécie de Veneza à moda portuguesa, previa a construção de resorts de luxo sobre lagos artificiais salgados e canais navegáveis, com passeios pedonais a cruzar os lagos e a ligar as zonas de habitação, comércio e lazer. O projeto ainda chegou a mudar de mãos, quando a Lusort assumiu o controlo, mas, passados dez anos, Vilamoura estava igual ao que sempre esteve. O projeto era tão megalómano que só os custos da infraestrutura estavam avaliados em 100 milhões de euros.

Desta vez, a ideia é tornar tudo mais simples. O projeto inicial era "muito artifical, cheio de cimento e muito pesado para o ambiente. O que estamos a tentar fazer é um projeto sustentável, pouco denso, que crie uma sensação de espaço e de vida natural", diz Paul Taylor sobre o Vilamoura Lakes, que toma o lugar da Cidade Lacustre, mesmo acima da Marina. O Lakes, onde vão ficar as unidades residenciais e os cinco empreendimentos turísticos, inclui 250 mil metros quadrados de paisagens naturais e tem a construção agendada para o final de 2017. É para aqui que está destinada a maior parte do investimento total: 600 milhões de euros.

Marina renovada em 2016

A Marina vai ser o rosto do projeto. "Queremos que as pessoas olhem para Vilamoura através do prisma da Marina", diz Paul Taylor. Nos planos está a construção de um espaço "icónico", o Yacht Club, bem como spa, ginásio, três restaurantes e boutiques. Este Yacht Club será o primeiro a abrir portas. "Todos os iates que chegarem vão ver esta estrutura icónica", diz o CEO sobre o clube, cuja construção deverá começar no final de 2016. Para o resto da Marina, ainda que a Lone Star tenha "capacidade para aumentar o número de lugares de parqueamento de barcos", não há planos de expansão. O investimento nesta área "não será superior a 20 milhões de euros".

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