Juros da dívida de Portugal a subir em todos os prazos

Os juros da dívida de Portugal estavam hoje a subir em todos os prazos em relação a sexta-feira, dia em que desceram para mínimos de sempre a dois e cinco anos.

Cerca das 08:55 de Lisboa, os juros da dívida portuguesa a dez anos estavam a subir para 3,064%, contra 3,058% no encerramento da sessão de sexta-feira e depois de terem descido até aos 3,020% a 27 de agosto, um mínimo de sempre.

No mesmo sentido, no prazo a cinco anos, os juros estavam a subir, para 1,595%, contra 1,584% no final da sessão de sexta-feira, um mínimo de sempre.

A dois anos, os juros também estavam a subir, para 0,518% face a sexta-feira, depois de terem terminado a 0,511% na sexta-feira, o valor mais baixo alguma vez registado.

Na quinta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) reduziu a taxa de juro diretora para 0,05%, um novo mínimo histórico, e anunciou que vai lançar um programa de compra de dívida privada para apoiar o mercado de crédito e dinamizar a economia da zona euro, anunciou o presidente da instituição, Mario Draghi.

Draghi referiu que o pacote de compra de ativos do BCE inclui também créditos hipotecários em euros emitidos por instituições financeiras da zona euro, mas não precisou o montante deste programa de compra de ativos, que deverá ser lançado a partir de outubro.

"Queremos garantir que estes títulos ABS (asset-backed securities) vão servir para que o crédito chegue à economia real", afirmou Draghi.

Draghi disse também que será difícil chegar a uma inflação próxima dos objetivos do BCE só com base na política monetária. "É preciso crescimento", considerou. "São precisas medidas orçamentais e sobretudo reformas estruturais", apontou.

A 17 de maio, Portugal abandonou oficialmente o resgate sem qualquer programa cautelar.

O programa de ajustamento solicitado à 'troika' (Comissão Europeia, BCE e Fundo Monetário Internacional), no valor de 78 mil milhões de euros, esteve em vigor cerca de três anos.

Os juros da dívida soberana da Irlanda estavam hoje a subir a dois e cinco anos e a descer a dez anos. Dublin terminou, a 15 de dezembro passado, o programa de ajustamento solicitado em 2010 à 'troika', no valor de 85 mil milhões de euros.

Os juros de Itália e de Espanha estavam a subir em todos os prazos, bem como os juros da Grécia a cinco e a dez anos, os únicos prazos disponíveis daquele país, estavam a subir.

Juros da dívida soberana em Portugal, Grécia, Irlanda, Itália e Espanha cerca das 08:55:

2 anos... 5 anos... 10 anos

Portugal

08/09..... 0,518......1,595....3,064

05/09..... 0,511......1,584....3,058

Grécia

08/09..... n disp.....3,832....5,598

05/09..... n disp.....3,805....5,572

Irlanda

08/09......0,003......0,459....1,645

05/09.....-0,004......0,450....1,649

Itália

08/09......0,261......1,000......2,300

05/09......0,241......0,958....2,254

Espanha

08/09......0,241......0,847....2,087

05/09......0,204......0,801....2,043

Fonte: Bloomberg Valores de 'bid' (juros exigidos pelos investidores para comprarem dívida) que compara com fecho da última sessão.

Ler mais

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.