Isabel dos Santos investe 400 milhões em hipers Candando

Parceria com a Sonae, que levaria o Continente para Angola, foi dissolvida. Empresária vai abrir dez hipermercados da nova marca até 2020 e criar 750 empregos diretos no próximo ano.

Acabou quatro anos depois de começar e sem sair do papel a parceria entre a Condis de Isabel dos Santos e a Sonae. Mas os hipermercados com a marca da empresária angolana vão chegar em breve - as contratações começam ainda esta semana. Só que não serão os esperados Continente, mas os 100% angolanos Candando (uma variação da palavra abraço no dialeto quimbundo).

A Contidis, que vai criar e gerir a marca, foi ontem apresentada em Luanda, bem como o projeto que prevê a abertura de dez lojas em cinco anos, num investimento total que poderá chegar aos 400 milhões de dólares, adiantou o CEO, Miguel Osório.

Em Luanda, o gestor, ex-quadro da Sonae, recusou usar a expressão "rompimento", descrevendo de outra forma o fim da parceria com o grupo português liderado por Paulo Azevedo. "Não se trata de um rompimento, mas de a Sonae vender o total das participações que detinha e Isabel dos Santos passar a contar com 100%."

O fim da joint venture nascida em abril de 2011, e na qual a Sonae detinha uma fatia de quase metade (49%), foi ontem confirmado pelo grupo de Paulo Azevedo. "Na sequência das informações anteriormente prestadas, a participação da Sonae e as consequentes responsabilidades assumidas por esta no âmbito do projeto de investimento no retalho alimentar em Angola foram adquiridas pelo grupo da eng.ª Isabel dos Santos", disse fonte oficial da Sonae. A empresa caiu ontem 1,39% em bolsa, para 1,06 euros por ação.

Nem o montante envolvido na dissolução da parceria nem as razões da mesma foram revelados. Sabia-se, porém, que o negócio estava parado há meses, desde que dois quadros de topo da Sonae - o agora CEO da Contidis e João Seara, chief marketing officer -, trocaram a empresa portuguesa pelo grupo de Isabel dos Santos.

Além dos dois gestores, o Candando vai herdar muito pouco do Continente. "Estamos a trabalhar com base nas ideias escritas por Isabel dos Santos numa folha em branco, com toda a experiência que a acionista e a equipa de gestão e todos os colaboradores que entretanto se juntaram foram capazes de aportar ao projeto", assegurou ontem, em Luanda, Miguel Osório

A primeira loja avança ainda no primeiro semestre de 2016, no Shopping Avenida - também propriedade de Isabel dos Santos -, em Talatona, Luanda Sul, e terá 10 mil metros quadrados. Para garantir um serviço de qualidade, o grupo começa já a recrutar os primeiros profissionais, que serão sobretudo angolanos e que passarão nos próximos meses por uma fase de formação - uma prioridade assumida pelo grupo Contidis, que prevê criar, com a rede de hipermercados, 750 empregos diretos em Luanda até 2016.

Ao jornal Mercado, Osório revelou que o grupo quer apresentar um conceito inovador no setor, com "áreas de atendimento modernas, ao nível do melhor que se faz no mundo". Ou seja, na prática, pretende ficar acima daquilo que já existe no mercado. A concorrência que o Candando quer ultrapassar revela-se nos shoppings sul-africanos da cadeia Shoprite, líder de vendas no retalho em África e que já conta 20 lojas em Angola, e nos angolanos da cadeia Kero que tem 11 espaços, incluindo o maior híper do país. "Mais variedade, melhor qualidade e sermos competitivos no preço" são os traços gerais da estratégia assumida pelo grupo de Isabel dos Santos para chegar ao topo.

Continuando a contar com a empresária angolana como parceira na Nos, a Sonae refez entretanto os seus planos de internacionalização na área da distribuição. Em agosto, a empresa revelou que o primeiro Continente fora do país abrirá nos Emirados Árabes Unidos, tendo já acordo fechado com um parceiro local, o Fathima Group of Companies, e data marcada para a abertura da primeira loja: 2017.

*Jornalista do semanário Mercado

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