Hollande considera nova proposta melhor mas ainda não está satisfeito

O Presidente francês, François Hollande, considerou hoje que a nova proposta de orçamento comunitário para 2014-2020 é melhor que a anterior, mas ainda não está "satisfeito", por continuar a julgar excessivos os cortes na política agrícola comum.

Reagindo ao novo documento colocado sobre a mesa pelo presidente do Conselho, Herman van Rompuy, na cimeira sobre o orçamento plurianual iniciada na quinta-feira à noite em Bruxelas, Hollande disse que, para a França, "a redução ainda é demasiado grande" na área da agricultura, embora os cortes tenham sido atenuados.

Ainda assim, o Presidente francês admitiu que as exigências de Paris quanto aos fundos para a agricultura foram "parcialmente ouvidas".

A nova proposta apresentada hoje pelo presidente do Conselho aos líderes europeus reduz o impacto dos cortes nas áreas da coesão e agricultura, aquelas que Portugal considera prioritárias, indicaram fontes diplomáticas.

Segundo as mesmas fontes, a nova proposta mantém uma redução do envelope global em cerca de 80 mil milhões de euros, comparativamente à proposta original da Comissão Europeia, mas com uma redistribuição dos cortes que permite aumentos de cerca de 11 mil milhões de euros para a política de coesão e de 7,7 mil milhões para a Política Agrícola Comum, as áreas consideradas prioritárias por Portugal.

Em contrapartida, o novo documento aumenta os cortes noutros domínios, com destaque para 13 mil milhões de euros "retirados" à rubrica de competitividade, crescimento e emprego.

No início da reunião, o presidente do Conselho Europeu apelou aos chefes de estado e de governo da União Europeia (UE) para que pensem no "interesse europeu" e não apenas nos interesses nacionais.

"A proposta que coloquei em cima da mesa é um orçamento de moderação. Os tempos pedem-no. Fazer mais com menos dinheiro envolve escolhas políticas. É doloroso, mesmo quando os cortes são feitos de forma uniforme", afirmou Herman van Rompuy.

Com a proposta nas mãos, os chefes de estado e de governo da UE interromperam os trabalhos para estudarem o documento, retomando as negociações na sexta-feira, a partir das 12:00 locais (11:00 de Lisboa).

Questionado sobre a possibilidade de não ser alcançado um compromisso entre os 27 nesta cimeira, Hollande considerou "provável" tal cenário, o mesmo traçado pela chanceler alemã, Angela Merkel, que também já disse duvidar que seja possível "fechar" um acordo neste Conselho Europeu extraordinário.

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