Greve na Bristish Airways deverá cancelar 1100 voos

 A greve de três dias que o pessoal de cabina da British Airways iniciou hoje deverá levar à anulação de 1100 dos 1950 voos da companhia neste período e, para já, são os números da paralisação que dividem a empresa e os sindicatos.

Milhares de membros do sindicato Unite, o maior sindicato britânico, entraram em greve às 24:00 de sexta feira, poucas horas depois de uma última tentativa de conciliação entre o secretário geral do sindicato, Tony Woodley, e o director geral da BA, Willie Walsh.

O Unite, que representa 12 mil elementos do pessoal de cabina da BA, anunciou hoje que 80 por cento destes trabalhadores tinham aderido à greve, mas segundo a British Airways em Heathrow, o maior aeroporto mundial em tráfego internacional de passageiros, 50 por cento do pessoal de voo apresentou-se ao trabalho.

Trata-se da primeira greve da Bristish Airways em 13 anos. A companhia espera transportar hoje e domingo 49 mil passageiros dos cerca de 75 mil previstos num fim de semana normal de março, ou seja, cerca de 65 por cento.

Em Heathrow, mais de 60 por cento dos voos de longo curso deverão ser assegurados nestes três dias, taxa que desce para 30 por cento nos voos de médio curso e regionais.

Já em Gatwick o tráfego deverá manter-se normal nos voos de longo curso e manter-se nos 50 por cento no baixo e médio curso.

"O pessoal de cabina tem-se apresentado ao trabalho como habitualmente em Gatwick e os números em Heathrow estão acima do necessário para cumprir o programa que tínhamos anunciado", indicou um porta-voz.

Mas o Unite contrapôs que em duas horas a meio do dia de hoje apenas 10 aviões descolaram de Heathrow, contra os 50 que costumam descolar normalmente. O sindicato descreveu mesmo o terminal 5 do aeroporto como uma "cidade fantasma".

A British procurou por todos os meios preparar-se para a greve, convencendo e treinando cerca de mil voluntários entre o seu pessoal de cabina para voar até segunda feira. Por outro lado, cerca de 60 companhias aéreas aceitaram transportar nos seus voos os clientes da BA.

A paralisação, que se realiza a algumas semanas das legislativas britânicas de 6 de maio, deverá durar até segunda feira sendo retomada no próximo sábado - por quatro dias - caso a administração e os sindicatos não cheguem a acordo.

Por parte do sindicato, Tony Woodley deixou a porta aberta a novas negociações. "O Unite está disponível para falar com a BA. Apelamos a que reflictam sobre o que é verdadeiramente importante a longo prazo para esta grande companhia", declarou.

Tony Woodley declarou também ter herdado "uma missão impossível" ao ter rejeitado um acordo de quatro anos que, segundo disse, vai congelar os salários até 2014.

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