George Soros: "A Europa e o euro correm perigo"

O financeiro americano de origem húngara, George Soros, considera que "a Europa e o euro correm perigo" e mostra-se favorável às "Eurobonds" como "solução última".

Numa entrevista ao diário francês "Le Monde", George Soros afirma que "é necessário dar à zona euro uma legitimidade política", no sentido de uma governação económica europeia.

George Soros afirma também que "o euro pode sobreviver à saída de Portugal ou da Grécia, de dimensão modesta. Mas a União rebentaria se fosse o caso da Espanha ou da Itália. É portanto preciso distinguir os países pequenos dos países grandes".

O financeiro admite, porém, que a saída de um membro mesmo "pequeno" da zona euro provocaria "o caos, o afundamento do seu sistema bancário. Autorizar um país a deixar a zona euro exige por isso um planeamento minucioso".

As declarações do financeiro americano surgem um dia depois da cimeira franco-alemã de Paris, em que o Presidente da República francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, propuseram a introdução de uma "regra de ouro" nas constituições dos Estados da zona euro impondo políticas de reequilíbrio orçamental.

George Soros, que em 1992 apostou na saída da libra esterlina do Sistema Monetário Europeu, avisou que "os mercados podem ganhar" e que é preciso dar um passo político na zona euro.

"A zona euro tal como existe hoje não tem autoridade orçamental e fiscal. Enquanto esse poder não existir, o mercado pensará que pode ganhar. Tem diante dele o Banco Central Europeu. Mas o poder do BCE limita-se a resolver problemas de liquidez -- para tornar os mercados mais fluidos -- sem atacar os problemas de solvência dos Estados", analisou George Soros.

"A situação é grave e as autoridades apenas agora começam a levar o assunto a sério", afirmou o financeiro americano ao diário francês. "Até aqui, apenas respondiam à pressão dos mercados. Começam agora a discutir soluções de longo prazo", considerou o financeiro americano.

"Penso que Nicolas Sarkozy tem razão ao afirmar, na terça-feira, que as 'Eurobonds' devem ser equacionadas no final do processo" para mutualizar as dívidas dos países da zona euro. "Deve ser esse o objetivo. Para sair da via actual, os países membros devem poder financiar-se a um custo razoável. As 'Eurobonds' são o melhor meio para chegar lá. Mas o problema está no detalhe! Por quem, como e em que quantidade começar a emissão desses títulos?", questiona George Soros.

O financeiro sublinha que "está também a ser esquecido o estado do sistema bancário europeu, também ele em crise. As instituições são muito frágeis. Estão sub-capitalizados e detêm muitos títulos de dívidas europeias". George Soros admite também que a França está debaixo de ataque dos mercados, depois da Espanha e da Itália, e que isso "é legítimo".

Ler mais

Exclusivos