Galp fecha postos se 'low cost' significar perder dinheiro

O presidente da Galp admitiu hoje fechar postos de abastecimento se o projeto do Governo de inclusão de combustíveis líquidos de baixo custo levar a petrolífera "a perder dinheiro", adiantando que ainda não percebeu "qual é o formato".

Em declarações aos jornalistas, Ferreira de Oliveira disse que ainda não percebeu como é que o Estado pretende incluir combustíveis líquidos de baixo custo ('low cost') nos postos de abastecimento, proposta da maioria parlamentar PSD e CDS-PP que foi aprovada, por unanimidade, no Parlamento, em novembro.

"Não percebemos como é que o Estado vai obrigar uma empresa a vender o que uma empresa não quer vender", declarou Ferreira de Oliveira.

Ainda assim, o presidente da Galp garantiu que "a empresa é cumpridora da lei" e, "se não conseguir, porque significa perder dinheiro, a Galp fecha o posto".

A proposta do Governo aprovada por todos os grupos parlamentares diz que "as instalações de abastecimento de combustíveis líquidos e gasosos derivados do petróleo, designados por postos de abastecimento de combustíveis, devem assegurar aos consumidores a possibilidade de livre escolha das gamas de combustíveis líquidos mais económicos, nomeadamente os não aditivados".

"Ainda não percebi qual é o formato, mas estamos tranquilos", acrescentou.

Ferreira de Oliveira lembrou que "os portugueses, quando compram gasolina pagam essencialmente impostos", questionando se alguém percebe "porque é que o imposto por um litro de gasolina é maior do que o do gasóleo".

Questionado sobre o conceito de postos de abastecimento de baixo custo que a Galp lançou em 2010 em Setúbal, com a designação 'Galp Base', Ferreira de Oliveira explicou que "foi uma experiência em estações de serviço em que a alternativa era fechar" e que " vale a pena como uma alternativa a fechar".

A Galp fechou 2012 com 1.486 estações de serviço, menos 16 do que no período homólogo, num ano marcado pela quebra na procura, o que levou a petrolífera a negociar os contratos com os fornecedores para minimizar os custos.

O presidente da Galp, Ferreira de Oliveira, afirmou hoje que a petrolífera está a "recorrer a todos os instrumentos para resistir à queda do mercado" de produtos petrolíferos, que, em Portugal, caiu 9% no último ano.

"Se alguém quiser uns contratos em estações de serviço nas autoestradas, temos aí alguns para oferecer", ironizou o gestor, explicando que a Galp tem feito "o que todas as empresas estão a fazer" para reduzir os custos.

O gestor adiantou que o investimento foi reduzido ao mínimo, os contratos com todos os fornecedores estão a ser negociados e o capital humano está a ser racionalizado sem criar desemprego.

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