Fundos não usados pela banca devem passar para firmas

O valor remanescente da linha de 12 mil milhões de euros disponibilizada pela 'troika' à banca portuguesa deve ser usado para capitalizar as empresas, considerou hoje o presidente da Associação Industrial Portuguesa (AIP), José Eduardo Carvalho.

"Houve dois grandes erros no programa de ajustamento português acordado com a 'troika' [Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional]. O excesso ao nível do processo de desalavancagem da banca e a ausência de um fundo para capitalização das empresas", afirmou o presidente da AIP à agência Lusa.

José Eduardo Carvalho falava à margem da convenção empresarial 'sobreviver e crescer', promovida pela AIP, no Centro de Congressos de Lisboa, que contou com 1.750 participantes, tendo destacado que, desde o início da crise mundial, em 2008, "cada vez menos empresas têm acesso ao financiamento" bancário.

"A contração foi fortíssima, atingindo os 16,4 mil milhões de euros. Se olharmos para o rácio do EBITDA [resultados operacionais] sobre a dívida, as empresas portuguesas, em média, vão demorar 13 anos para abater as suas dívidas", assinalou.

Daí, o responsável defende que os cerca de 6 mil milhões de euros que ainda estão à disposição dos bancos portugueses, mas que não foram usados, devem ser canalizados para a capitalização das empresas.

Dessa forma, o tecido empresarial ganharia novo fôlego para, por um lado, abater parte da dívida (cujos custos têm crescido significativamente nos últimos anos) e, por outro, para investir no desenvolvimento da sua atividade.

"Sem investimento não há aumento de produtividade", realçou José Eduardo Carvalho.

Por isso, esta disponibilização de fundos às empresas seria a medida que o presidente da AIP mais gostava de ver inscrita no Orçamento do Estado para 2014.

E acrescentou que já defendeu esta ideia junto de vários governantes, até agora, sem sucesso.

O difícil acesso ao financiamento é apenas um dos inúmeros obstáculos que as empresas portuguesas, sobretudo, as Pequenas e Médias Empresas (PME), enfrentam na atualidade.

José Eduardo Carvalho apontou também para a valorização significativa do euro contra o dólar, que prejudica as exportadoras, a forte quebra da procura interna, que afeta as empresas mais expostas ao mercado doméstico, a enorme pressão ao nível dos impostos a que as empresas estão sujeitas "até à exaustão", os preços da energia e a falta de flexibilidade laboral.

Em jeito de balanço do evento que hoje decorreu, o responsável disse que a imagem mais marcante que guardou é "a esperança que estes empresários têm de que é possível fazer coisas que pareciam impossíveis".

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