EDP reforça liderança no mercado livre de eletricidade

A EDP Comercial continua a liderar o mercado livre de eletricidade, quer em número de clientes, quer em consumos, revela o regulador da energia no seu relatório mensal publicado hoje.

A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) refere que, em dezembro passado, "a EDP Comercial continuou como o principal operador no mercado livre, quer em número de clientes (cerca de 80% do total de clientes), quer em consumos (cerca de 42% dos fornecimentos no mercado liberalizado)", e acrescenta que consolidou a sua posição face a novembro "com aumentos de quota em cerca de 2,2% e 0,9%, respectivamente".

Em relação ao número de clientes de cada empresa, sublinha a ERSE, "não ocorreram grandes alterações nas quotas entre novembro e dezembro, sendo a maior variação a registada pela Endesa, com um decréscimo de 2 pontos percentuais, absorvida pela EDP".

As espanholas Iberdrola e a GN Fenosa, diz o regulador, viram diminuir a sua quota em 0,1 pontos percentuais cada, "ao contrário da Galp, cuja quota aumentou 0,1 pontos percentuais".

Relativamente ao último mês do ano passado e no que respeita a consumos abastecidos, houve as quebras de quota de mercado de 1 ponto percentual registadas pela Iberdrola (21,2%), de 0,2 ponto percentual pela GN Fenosa (4,6%)". Quem ficou a ganhar foi a EDP (42,1%), a Galp (3,6%) e a Endesa (23,6%).

No segmento de clientes domésticos, em que pela primeira vez se ultrapassaram um milhão de clientes, "há a registar uma nova perda de quota da Endesa (10,6%), em cerca de 1,6 p.p. que são captados na totalidade pela EDP, com 82,3% dos fornecimentos do segmento de clientes domésticos", indica a ERSE no relatório.

A Galp, que ganhou uma quota de 0,1 pontos percentuais, "passa a deter cerca 4,5% dos fornecimentos no segmento, seguida pela espanhola Iberdrola, com cerca de 2,4%", adianta o regulador e acrescenta que a evolução da empresa portuguesa liderada por Manuel Ferreira de Oliveira nos últimos meses "explicita uma aposta deste comercializador no segmento doméstico, através da oferta conjunta de gás natural e eletricidade, havendo já quatro comercializadores com quota de mercado superior a 1% no segmento de clientes domésticos e cinco com oferta concretizada".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Bernardo Pires de Lima

Os europeus ao espelho

O novo equilíbrio no Congresso despertou em Trump reações acossadas, com a imprensa e a investigação ao conluio com o Kremlin como alvos prioritários. Na Europa, houve quem validasse a mesma prática. Do lado democrata, o oxigénio eleitoral obriga agora o partido a encontrar soluções à altura do desafio em 2020, evitando a demagogia da sua ala esquerda. Mais uma vez, na Europa, há quem esteja a seguir a receita com atenção.

Premium

Rogério Casanova

O fantasma na linha de produção

Tal como o desejo erótico, o medo é uma daquelas emoções universais que se fragmenta em inúmeras idiossincrasias no ponto de chegada. Além de ser contextual, depende também muito da maneira como um elemento exterior interage com o nosso repositório pessoal de fobias e atavismos. Isto, pelo menos, em teoria. Na prática (a prática, para este efeito, é definida pelo somatório de explorações ficcionais do "medo" no pequeno e no grande ecrã), a coisa mais assustadora do mundo é aparentemente uma figura feminina magra, de cabelos compridos e desgrenhados, a cambalear aos solavancos na direcção da câmara. Pode parecer redutor, mas as provas acumuladas não enganam: desde que foi popularizada pelo filme Ring em 1998, esta aparição específica marca o ponto em filmes e séries ocidentais com tamanha regularidade que já se tornou uma presença familiar, tão reconfortante como um peluche de infância. É possível que seja a exportação japonesa mais bem-sucedida desde o Toyota Corolla e o circuito integrado.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Adeus, futuro. O fim da intimidade

Pelo facto de dormir no quarto da minha irmã (quase cinco anos mais velha do que eu), tiveram de explicar-me muito cedo por que diabo não a levavam ao hospital (nem sequer ao médico) quando ela gania de tempos a tempos com dores de barriga. Efectivamente, devia ser muito miúda quando a minha mãe me ensinou, entre outras coisas, aquela palavra comprida e feia - "menstruação" - que separava uma simples miúda de uma "mulherzinha" (e nada podia ser mais assustador). Mas tão depressa ma fez ouvir com todas as sílabas como me ordenou que a calasse, porque dizia respeito a um assunto íntimo que não era suposto entrar em conversas, muito menos se fossem com rapazes. (E até me lembro de ter levado uma sapatada na semana seguinte por estar a dizer ao meu irmão para que servia uma embalagem de Modess que ele vira no armário da casa de banho.)