Crise criou 30 milhões de desempregados

Atualmente há mais 30 milhões de pessoas desempregadas em todo o mundo do que antes do início da crise financeira global, afirmou hoje, em Tóquio, o diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Guy Ryder.

"O desemprego global é ainda maior do que antes da crise, em cerca de 30 milhões, e perto de 40 milhões de mulheres e homens pararam de procurar trabalho", disse Guy Ryder.

O diretor-geral da OIT realçou ainda que cerca de um terço dos mais de 200 milhões de desempregados em todo o mundo têm menos de 25 anos.

"Com a força de trabalho mundial a aumentar em cerca de 40 milhões anualmente, deparamo-nos com grandes e crescentes défices de trabalho decente que se vão prolongar por anos", alertou Ryder ao apontar que, entre os empregados, "900 milhões são incapazes de ganhar o suficiente para viver acima do limiar da pobreza dos dois dólares por dia".

Este número, disse, seria 55 por cento inferior se a tendência de erradicação da pobreza registada antes da crise se tivesse mantido.

"Isto significa que os danos das medidas de austeridade têm sido mais profundos do que se pensava", declarou.

Neste sentido, o diretor-geral da OIT disse ser necessário ter em consideração que também se vai levar "muito mais tempo a se repararem os danos causados pelos excessos financeiros do período pré-crise".

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