CGTP não acredita que crescimento previsto crie emprego

O líder da CGTP, Arménio Carlos, não acredita que o crescimento económico previsto para o próximo ano (0,8%) pelo Governo consiga criar emprego e faça baixar a taxa de desemprego inicialmente prevista.

Em Coimbra, à margem da conferência contra o empobrecimento do distrito, no âmbito do 43.º aniversário da central sindical, o dirigente colocou em causa as novas estimativas do Governo, apresentadas quinta-feira, que apontam para uma taxa de desemprego no próximo ano de 17,7%, quando eram de que chegasse aos 18,5%.

"Não há nenhuns indicadores sólidos que apontem nesse sentido. O Governo diz que temos uma taxa prevista de 17,7% para o ano, mais do que se está a verificar este ano, e simultaneamente prevê um crescimento da economia na ordem dos 0,8% que não chega para criar emprego e resolver os problemas do país", frisou.

Arménio Carlos salientou que, qualquer país, para crescer "tem no mínimo de crescer três por cento", considerando que um crescimento de 0,8% tem um impacto nulo na criação de emprego.

"O que assistimos (quinta-feira) do Governo foi uma sessão de manipulação e ocultação, para dar a ideia aos portugueses que agora as coisas iam mudar e omitindo as medidas profundíssimas de austeridade que estão a ser preparadas", sublinhou.

Segundo o líder da CGTP, está em marcha um processo que visa "aprofundar esta linha de austeridade e não dá solidez nenhuma, pelo que é uma política de desastre à qual é preciso por cobro".

O dirigente sindical disse que o Governo está a lançar medidas avulsas que representam, "no conteúdo", o plano de reforma do Estado, através de cortes significativos que se verificam na saúde, educação e segurança social.

"Não é só os cortes de 10% nas pensões de 600 euros ou superiores dos pensionistas da Caixa Geral de Aposentações. Neste momento, já existe uma proposta para reduzir o valor das pensões e aumentar a idade da reforma dos trabalhadores que estão abrangidos pelo regime geral da Segurança Social", denunciou Arménio Carlos.

O sindicalista referiu ainda que a manutenção das medidas de austeridade no próximo ano é uma consequência "lógica das políticas que estão a ser seguidas" por "obsessão do défice".

"A manutenção destas medidas não só vão levar ao prolongamento da austeridade no próximo ano como nos anos vindouros", acrescentou o coordenador da CGTP.

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