CGTP acusa Governo de enganar desempregados e financiar patrões "para cumprirem a lei"

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, acusou hoje o Governo de estar a enganar os desempregados e de querer financiar os patrões para cumprirem a lei, criticando as medidas de combate ao desemprego hoje apresentadas aos parceiros sociais.

Arménio Carlos que falava aos jornalistas após uma reunião no Conselho Económico e Social destacou que a estratégia do Governo visa "desvalorizar o emprego" e que as medidas servem para "financiar direta ou indiretamente o patronato, secundarizando a importância da integração dos desempregados no mercado de trabalho".

Em causa está um conjunto de diplomas que preveem estágios para desempregados de longa duração, apoios à mobilidade temporária e incentivos à igualdade de género.

"Aquilo que está em marcha é que tenham apoio durante seis meses e findos os seis meses retornam novamente ao desemprego", criticou, a propósito da medida destinada aos desempregados de longa duração.

Quanto à mobilidade, "não está associada à criação de emprego e à estabilidade" e pretende apenas "dar resposta a algumas tarefas sazonais", nomeadamente no turismo, já que os apoios disponíveis não vão além de quatro meses.

"Receber 200 euros para efeitos de alojamento nem de perto nem de longe assegura uma vida minimamente estável", comentou o sindicalista, lamentando que "centenas de milhões de euros estejam a ser canalizados diretamente para as entidades patronais a pretexto de criar emprego" quando na prática se está a criar emprego precário e de baixos salários.

A CGTP contesta também que sejam disponibilizados incentivos para as empresas que promovam a igualdade de género, já que está em causa está apenas o cumprimento da lei que proíbe a discriminação dos trabalhadores, considerando a proposta do Governo um "desplante".

"O Governo, em vez de agir para obrigar as entidades patronais a cumprir com a Constituição e com a lei, o que lhes está a dizer é que até pagam para que cumpram com a Constituição e com a lei", criticou Arménio Carlos.

O líder da CGTP acrescentou que o apoio não está quantificado e que a proposta foi mandada para a confederação sindical na terça-feira à noite.

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