Aumento do desemprego foi subestimado pelo Governo

O aumento da taxa de desemprego era previsível mas foi subestimado pelo Governo no seu orçamento inicial para 2012, afirmam os técnicos de apoio à comissão parlamentar do Orçamento.

Numa análise ao segundo orçamento retificativo para este ano, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) regista que o Governo prevê atualmente que o Produto Interno Bruto se reduza 3 por cento este ano, e que a taxa de desemprego cresça 2,8 pontos percentuais (atingindo os 15,5 por cento).

Ora, o cenário inicial do Governo para o PIB já era esse - uma recessão de 3 por cento. Para o desemprego, contudo, o Executivo previa apenas um aumento de 0,9 pontos percentuais, para uma taxa de 13,6 por cento.

O Governo, tal como a 'troika', manifestou a sua surpresa pela evolução acima do esperado do desemprego, que tem vindo a bater sucessivos máximos históricos este ano. Em junho, o Executivo apresentou um estudo para analisar a evolução do mercado de trabalho, que incluía novas previsões para a taxa de desemprego.

No entanto, lê-se no relatório da UTAO, "a taxa de desemprego varia habitualmente em contraciclo com a atividade económica" numa relação semelhante à que se tem registado este ano.

Ou seja, os números agora apresentados pelo Governo "não se afastam de uma relação empírica muito rudimentar" que pode ser calculada entre a variação da economia e do desemprego.

Esta relação fica mais clara num gráfico de dispersão incluído no relatório da UTAO. Nesse gráfico, os pontos relativos ao crescimento económico e à variação do desemprego entre 1998 e 2012 aglutinam-se junto a uma reta. A previsão atual incluída no segundo retificativo coincide quase exatamente com a reta; a previsão do orçamento inicial é a que está mais distante.

O erro de previsão do Governo, ao "subestimar significativamente a taxa média de desemprego", teve "consequências negativas na consolidação orçamental". Ou seja, como o número de desempregados aumentou mais do que o previsto, "as previsões iniciais para a receita fiscal e contributiva e para as prestações sociais revelaram-se desajustadas".

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