300 propõem sair do Banif com rescisões amigáveis

Mais de 300 trabalhadores propuseram-se sair do Banif no âmbito do novo programa de rescisões voluntárias e reformas antecipadas que o banco abriu em meados deste mês, segundo a instituição liderada por Jorge Tomé.

"Os pedidos excederam o objetivo, o programa correu muito bem. O banco não aceitou todos os pedidos porque há pessoas que são consideradas chave" e que o Banif não tem interesse em que saiam, disse à Lusa fonte oficial.

Já o dirigente do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, Paulo Alexandre, que hoje se reuniu com a direção de recursos humanos do Banif, disse que não lhe foram fornecidos os dados definitivos e que só em meados desta semana os deverá ter.

O Banif anunciou a 17 de março a antecipação do plano de reestruturação do banco e a abertura imediata de um programa de rescisões voluntárias e reformas antecipadas com o objetivo de reduzir em 300 o número de funcionários. A concretizarem-se, estas saídas juntam-se aos mais de 600 colaboradores que deixaram o Banif entre 2012 e 2013.

A instituição propôs-se oferecer aos funcionários entre 1,1 a 1,5 salários por cada ano de antiguidade (os trabalhadores com menos anos de empresa terão uma maior majoração da indemnização, ou seja, o salário a pagar será maior se o valor total da indemnização for menor), a manutenção das condições do crédito à habitação e seguro de assistência à saúde ao longo de pelo menos um ano.

A saída de pessoal vai ser acompanhada pelo fecho de mais 60 balcões, concluindo assim o processo de encerramento de 120 balcões definido no início de 2012.

Quando as saídas e o fecho de balcões estiverem concluídos, o banco fundado por Horácio Roque fica com cerca de 2.000 colaboradores e 226 balcões.

Com este processo, em que o banco liderado por Jorge Tome prevê gastar 12 milhões de euros, são esperadas poupanças futuras de 15 milhões de euros por ano.

O Banif, que está em processo de reestruturação desde 2012 e que em janeiro de 2013 recebeu 1.100 milhões de euros de dinheiro público para se recapitalizar - tendo agora o Estado como acionista maioritário -, tem sido nas últimas semanas notícia pelo entendimento feito com a Guiné Equatorial com vista à entrada de uma empresa daquele país africano no capital do banco, um acordo visto por algumas forças como ajuda à entrada da Guiné Equatorial na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O ano passado, banco teve prejuízos de 470,3 milhões de euros, naquele que foi o terceiro ano consecutivo de resultados negativos, ainda assim menos 19,5% do que os 584,2 milhões de euros de 2012.

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