Produtores de leite e carne querem discutir com Governo medidas para salvar sector da crise

Os produtores de leite e carne querem discutir com o ministro da Agricultura medidas que consideram fundamentais para salvar o setor da crise e admitem avançar com formas de luta, caso não tenham uma resposta nos próximos dez dias.

"Estamos disponíveis para dialogar e encontrar soluções e esperamos que o Governo não nos empurre para outras situações", disse o director da Associação Nacional dos Produtores de Leite de Portugal (APLC), José Lobato, durante uma conferência de imprensa, que decorreu hoje em Aveiro. Se não houver abertura por parte do Governo para o diálogo, os produtores de leite e carne admitem avançar com formas de luta. "Vamos ouvir os nossos associados e estamos preparados para aquilo que for necessário", afirmou José Lobato, acrescentando: "não é possível esperar mais. Atingimos um ponto em que ou se desiste ou se luta e nós preferimos lutar". Para José Lobato, o sector encontra-se num estado de "calamidade absoluta", havendo "muitas explorações" cuja sobrevivência está comprometida.

O director da APLC não tem dúvidas de que os produtores estão a ter prejuízos e para comprovar isso mesmo apresentaram um estudo sobre uma exploração familiar com cerca de 30 animais que compara os preços dos factores de produção e do leite, nos últimos 20 anos. Segundo o estudo, os factores de produção (gasóleo, adubo e rações) e a taxa da Segurança Social tiveram um aumento médio de 156 por cento nos últimos 20 anos, enquanto que o preço do leite manteve-se inalterado. Tendo como base estes dados, a APLC conclui que em 1991 os produtores conseguiam retirar por litro de leite 11 cêntimos e, neste momento, por cada litro de leite que produzem perdem um cêntimo. Para salvar o sector da crise, os produtores de leite e carne reclamam a regulação dos mercados, de forma a garantir a justa e equilibrada repartição do valor, impedindo a indústria e a distribuição de esmagar a margem de lucro do lado da produção, e compensações directas de modo a garantir um preço indicativo do leito ao produtor de 40 cêntimos por quilo.

Exigem ainda que o Governo "defenda energicamente" junto da Comissão Europeia a manutenção das quotas nacionais de produção de leite. As medidas constam de uma resolução aprovada durante um encontro em Braga e que foi enviada ao ministro da Agricultura, António Serrano, juntamente com um pedido de audiência com carácter de urgência.

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