Início da venda de marijuana faz disparar cotações

As ações das empresas ligadas à indústria da canábis tiveram ontem as suas cotações em alta, no dia seguinte ao início da venda livre de marijuana no Estado do Colorado, no oeste dos EUA.

A progressão mais importante foi registada pela sociedade MediSwipe, que fornece sistemas de pagamento à indústria médica e abriu recentemente uma cooperativa no Colorado para contactar diretamente os atores da fileira da canábis.

A sua ação chegou a estar a valorizar 70% a meio da sessão bolsista, em relação a quarta-feira, um dia depois de terem aberto as primeiras 'coffee shops' no Colorado.

Vinte e cinco cidades deste Estado norte-americano passaram a autorizar a partir de 01 de janeiro a venda legal e limitada de marijuana em cerca de 160 lojas, o que o tornou o primeiro lugar do mundo a fazê-lo livremente para maiores de 21 anos.

A medida resulta da emenda 64, aprovada por voto popular em novembro de 2012 e que legalizou a posse e uso de pequenas quantidades de marijuana (até 28 gramas) para uso médico entre pessoas com mais de 21 anos, assim como a sua produção e venda de acordo com a nova lei.

A MediSwipe procura também implantar-se no Estado de Washington, no noroeste dos EUA, onde o uso recreativo da canábis também foi legalizado, mas que só vai ter os primeiros pontos de venda na primavera.

Outra empresa, a GreenGro Technologies, que fabrica equipamentos usados na cultura da canábis, tinha as ações a subir mais de 50%, para um nível recorde de 6,7 cêntimos de dólar.

A Hemp, que se dedica à cultura industrial da canábis e venda de grãos para fins alimentares, estava a progredir 50%.

Este interesse dos investidores pode ser explicado pelo potencial do mercado de canábis, que poderá vir a valer 10 mil milhões de dólares (7,3 mil milhões de euros) por ano, dentro de cinco anos, contra cerca de dois mil milhões atualmente, estimou o gabinete de estudos ArcView.

Atualmente, o Estado do Colorado conta com cerca de 500 "farmácias de marijuana para fins medicinais", dos quais 160 podem converter-se em "lojas de marijuana recreativa", embora se preveja que apenas algumas avancem para esta aposta durante o mês de janeiro.

Apesar de em Denver, capital do Estado, já se poder comprar marijuana recreativa, outras importantes cidades, como Aspen, Aurora ou Boulder decidiram não aplicar já a lei.

Denver conta com a primeira diretora executiva para a política da marijuana, Ashley R. Kilroy, nomeada a 20 de dezembro passado e que até ao momento exercia o cargo de diretora interina da Segurança Pública.

Dado que a nível federal a venda e consumo de marijuana é uma atividade ilícita, a planta não pode ser comercializada no aeroporto internacional de Denver.

Entre 2014 e 2015, apenas os responsáveis pela marijuana medicinal poderão vender a substância para fins recreativos e, a partir de 2016, serão concedidas licenças a qualquer centro ou comércio que compra os requisitos estabelecidos por lei.

A aprovação da lei no Colorado lançou um intenso debate nos Estados Unidos sobre as consequências da sua aplicação no Estado.

Estima-se que em todo o Estado do Colorado a venda da marijuana recreativa gere cerca de 70 milhões de dólares (cerca de 51 milhões de euros) em impostos.

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