Indústria reclama actualização de preços do leite

A Associação Nacional dos Industriais do Leite lamentou hoje, quarta-feira, que os hipermercados continuem a comprar o leite ao mesmo preço, apesar dos custos de produção terem aumentado, dizendo que não é possível pagar mais aos produtores.

"A estrutura de custos agravou-se 10 por cento, mas não conseguimos repercutir este aumento dos custos no preço de venda aos distribuidores", disse à Lusa o presidente da ANIL, sublinhando que o preço pago pelo leite à saída da fábrica é igual há um ano. "A distribuição precisa de perceber que não pode continuar a comprar um bem que teve custos acrescidos sem pagar mais por isso", salientou Pedro Pimentel. Os produtores de leite exigiram a intervenção do governo no sector leiteiro, pedindo um aumento de cinco cêntimos por litro face à subida dos custos de produção, mas o responsável da ANIL afirmou que só é possível oferecer um preço melhor aos produtores, se a distribuição remunerar melhor os fornecedores.

"Nos produtos que representam a maioria das vendas, como o leite, estamos com margens inexistentes", justificou Pedro Pimental, admitindo, no entanto, que as reivindicações dos produtores são "perfeitamente legítimas". O presidente da ANIL adiantou que a indústria aumentou o preço pago aos produtores em três cêntimos nos últimos meses porque "reconheceu que era preciso", mas garante que não é possível ir mais longe, lembrando que também tem despesas acrescidas com a aquisição da matéria-prima, transportes, energia e embalagens.O leite, que é actualmente pago a cerca de 30 cêntimos por litro ao produtor, chega aos consumidores cerca de 20 cêntimos mais caro.

Nos sites de dois grandes hipermercados consultados hoje pela Agência Lusa, o litro de leite UHT custava entre 49 a 52 cêntimos no caso das marcas brancas e entre 56 a 59 cêntimos no caso das marcas comerciais. Uma diferença que, segundo Pedro Pimentel, incorpora os custos do processamento industrial, a componente fiscal e a margem da distribuição "que não é alta", reconheceu. O presidente da ANIL, que representa mais de 80 empresas de lacticínios, admite que "há uma relação muito complicada" entre a distribuição e os seus fornecedores, mas acrescentou que "não é exclusiva do sector do leite". "Hoje, a distribuição está muito concentrada num pequeno número de empresas e duas delas representam mais de 50 por cento do mercado", observou.

Por outro lado, o presidente da LEICAR, uma organização que representa 1250 produtores de Entre Douro e Minho que produzem cerca de 45 por cento do leite nacional, culpa também a indústria.

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