"Incerteza" sobre moeda única não está ultrapassada

A "incerteza" sobre o futuro da moeda única "foi muito reduzida", mas a situação ainda não está totalmente ultrapassada, disse hoje o ex-ministro Luís Amado, antecipando que "haverá ainda decisões políticas muito difíceis para tomar".

Em declarações aos jornalistas, à margem da Conferência da Lusofonia, na Assembleia da República, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo socialista e atualmente presidente do Banif considerou que as "expectativas muito negativas" em relação ao desempenho do euro foram, "em grande medida, superadas", mas sublinhou que tal "não quer dizer que o processo esteja concluído".

Luís Amado reagia assim às declarações do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, que, na terça-feira, em Lisboa, rejeitou a ideia de uma "crise do euro".

"Houve uma crise do euro, de confiança e estabilidade da Zona Euro" e, "ao nível europeu, alguns erros foram cometidos, que poderiam ter sido evitados e minimizado alguns efeitos", contrapôs Amado, rejeitando que o cenário já esteja ultrapassado.

"Ainda temos alguma incerteza", sublinhou, antecipando que o processo será "longo" e "haverá ainda decisões políticas muito difíceis para tomar no futuro".

Decisões que vão envolver governos e instituições europeus, mas também as sociedades, que "vão ser chamadas" a debater "o futuro da Europa", concretizou.

Porém, assinalou o economista, "uma margem significativa da incerteza que havia em relação ao futuro do euro foi muito reduzida, com as decisões que o Banco Central Europeu e depois o Conselho Europeu tomaram mais recentemente".

Prevendo que a atual situação venha a ser "necessariamente longa e prolongada", o ex-chefe da diplomacia sublinhou que "a crise apanhou de surpresa não apenas o cidadão comum", mas "a generalidade dos dirigentes políticos internacionais".

Em seguida, os políticos "reagiram, e até bem", tendo sido "possível conter uma recessão muito perigosa", mas "não se teve a noção da profundidade e da complexidade da crise", referiu.

Neste contexto, Portugal "não tinha qualquer hipótese que não fazer o ajustamento correto do problema de financiamento que tinha para gerir".

Portugal "está condicionado pelo processo de ajustamento na Europa", destacou.

"O processo de ajustamento está a ser executado em conformidade com as orientações do programa" aprovado entre o Estado português e as instituições europeias, mas a negociação "tem estado em curso, em várias frentes".

Na sua intervenção na conferência de hoje, Amado sublinhou que "o esforço de ajustamento que está a ser pedido" a famílias e empresas em Portugal "é extremamente exigente", mas também uma "condição estratégica absolutamente decisiva" para garantir a continuação da pertença europeia.

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