IKEA admite eventual recurso a presos políticos

A multinacional IKEA condenou hoje "firmemente qualquer utilização de prisioneiros políticos" no processo produtivo, mas admite que isso possa ter sucedido nas décadas de 1970 e 1980, como noticiou hoje a cadeia pública de televisão sueca.

Em comunicado, a IKEA Portugal afirmou que "tais práticas [a utilização de presos políticos na produção] nunca foram aceites pela IKEA" e que "é imperativo que os artigos IKEA sejam produzidos sob aceitáveis condições de trabalho e ambientais".

No entanto, a multinacional sueca admite que, no passado, tal possa ter acontecido: "As compras realizadas na RDA [República Democrática Alemã] tiveram lugar há cerca de 30 anos. Se esta situação aconteceu, é completamente inaceitável e lamentamos profundamente", lê-se na nota.

A empresa sueca acrescenta que, no último outono, "a IKEA Alemanha iniciou uma investigação, ainda a decorrer, que permita obter uma imagem completa do que aconteceu", frisando que "há 30 anos (...) as rotinas implementadas para acompanhar e verificar as exigências [da empresa] não estavam ainda ao nível de hoje em dia".

A subsidiária portuguesa refere que "a estrutura organizativa de compras" da marca "tinha acesso às fábricas da RDA, mas não podia fazer visitas sem aviso prévio".

Por isso, garante a empresa, "foram realizadas visitas previamente anunciadas" e a multinacional "tinha garantias escritas das autoridades da RDA de que os produtos eram produzidos apenas em fábricas já conhecidas da IKEA".

De acordo com um programa de investigação da cadeia pública de televisão sueca, a empresa de mobiliário IKEA utilizou prisioneiros políticos da antiga Alemanha Oriental como trabalhadores forçados nas décadas de 1970 e 1980,

A reportagem do programa Uppdrag Granskning descobriu documentos que provam a utilização de trabalho forçado de prisioneiros de consciência, segundo os anúncios do programa, que tem emissão prevista para quinta-feira no canal de televisão SVT.

Os jornalistas do programa descobriram os documentos nos arquivos da Stasi, a polícia secreta da antiga Alemanha de leste, ainda de acordo com os anúncios. A SVT não adiantou mais pormenores sobre as acusações.

O grupo IKEA, que não está cotado na bolsa, é o maior vendedor mundial de mobiliário, com vendas de 25.000 milhões de euros em 2011 e 131.000 colaboradores, no final do seu mais recente ano fiscal, que terminou em agosto de 2011.

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