Greve geral deve acontecer até ao fim do ano

(ATUALIZADA) O secretário-geral da CGTP anunciou que o Conselho Extraordinário da central sindical vai reunir-se no dia 3 de outubro para analisar uma proposta de greve geral contra a austeridade, mas admitiu que "é quase certo" que a paralisação aconteça até ao final do ano.

Arménio Carlos garantiu que a manifestação de hoje foi a "maior jornada de luta dos últimos anos", organizada pela Intersindical Nacional. Questionado pelos jornalistas se a greve poderá decorrer até ao final do ano, Arménio Carlos respondeu que "é quase certo".

O sindicalista escusou-se no entanto a revelar se irá convidar formalmente a UGT a integrar a paralisação e preferiu sublinhar a aposta na "unidade de ação de todas as organizações". "Privilegiamos a unidade na ação de todas as organizações sindicais", afirmou.

Ainda não se viam os últimos manifestantes que desciam a Rua do Ouro, quando Arménio Carlos começou a discursar pouco depois das 16:00.

À manifestação convocada pela CGTP juntaram-se também os trabalhadores da RTP, que participam com uma bandeira e um cartaz enorme dizendo "RTP Privatização Não".

Cartazes contra a extinção das juntas de freguesia e o "negócio na Saúde" são também outros dos protestos de quem desce a rua do Ouro, incentivados por palavras de ordem.

Ao mesmo tempo, Arménio Carlos falava para milhares de manifestantes que estavam concentrados no Terreiro do Paço, que se começou a encher de gente antes das 15:00, hora marcada para o início do protesto.

Num palanque montado no Terreiro do Paço, hoje apelidado de "Terreiro do Povo", Arménio Carlos garantiu que o "povo está a perder o medo".

"Eles têm medo que o povo perca o medo. O povo está a perder o medo e a mostrar que quer ir para a frente, lutar pelo presente e salvaguaardar o futuro das gerações", defendeu.

Referindo várias lutas de empresas, o sindicalista avisou: se o Governo "não ouvir a bem, ouve a mal o povo, com a exigência da sua demissão e alteração de políticas".

Arménio Carlos reafirmou que a CGTP "não aceitará medidas de redução dos salários e pensões nem um cêntimo que seja".

Para o dirigente da CGTP, está na "altura do capital pagar" e de os rendimentos do trabalho deixarem de ser a "galinha dos ovos de ouro"

Entre algumas das soluções apontadas pela Intersindical para a austeridade, Arménio Carlos falou num escalão acima dos 33 por cento que permitiria receitas de mil milhões de euros.

Outra alternativa é o aumento em 10 por cento dos rendimentos dos grandes accionistas das Sociedades Gestoras de Participações Sociais (SGPS), o que permitiria uma receita de 1.600 mil milhões de euros.

Perante um Terreiro de Paço com milhares de pessoas, Arménio Carlos falou ainda num reforço da fiscalização tributária para conseguir arrecadar 1100 milhões de euros.

Homens da Luta em ação

Entre buzinas e palavras de ordem, os "Homens da Luta" animaram a tarde no Terreiro do Paço, cantando várias músicas até ao momento em que chegou a maioria dos manifestantes que vinha em protesto desde os Restauradores.

A Praça do Comércio estava ao início da tarde já cheia de bandeiras de sindicatos e cartazes escritos à mão com dizeres como "Otelo Por Favor Salvá-nos" ou "Sinto que me estão a cagar em cima". Muitos outros cartazes mandam "recados" usando palavras ofensivas contra o primeiro-ministro e ao Presidente da República.

Minutos antes das 16:00, hora marcada para o discurso de Arménio Carlos, ouviu-se "Grandola Vila Morena", a senha da madrugada de 25 de Abril de 1974.

A manifestação convocada pela CGTP para as 15:00 conseguiu concentrar milhares de pessoas entre os Restauradores e o Terreiro do Paço.

Vários movimentos sociais juntaram-se à manifestação, nomeadamente, os responsáveis pelo protesto de 15 de setembro - subscritores do apelo "Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!" - e a Plataforma 15 de Outubro.

As forças de segurança também marcam presença no protesto através da Comissão Coordenadora Permanente (CCP) dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança, que integra elementos da PSP, GNR, Polícia Marítima, Guardas Prisionais, Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) e Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

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