Frente Comum antecipa "elevada adesão" à greve de amanhã

A coordenadora da Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública, Ana Avoila, antecipou hoje uma "elevada adesão" da greve da função pública marcada para sexta-feira contra as políticas de austeridade, um protesto que "contém alguma esperança no futuro".

"A expectativa é muito positiva. É uma expectativa de uma greve que vai dar uma resposta, uma greve com setores importantíssimos que terão uma elevada adesão, nomeadamente, da saúde, da educação, da justiça, das finanças, da segurança social e da administração local", afirmou Ana Avoila, em conferência de imprensa.

A coordenadora da Frente Comum, que falava aos jornalistas na sede do sindicato, em Lisboa, referiu que esta luta "não é de protesto, mas de resistência".

Nesse sentido, "a expectativa é de uma grande adesão, mas também que contém alguma esperança para o futuro no sentido de continuar a luta para tentar ultrapassar tudo aquilo que está em cima da mesa".

Ana Avoila reconheceu tratar-se de uma luta "muito difícil", uma vez que aqueles que aderirem vão perder um dia de salário, mas que é justificada pelas medidas de austeridade aplicadas pelo atual Governo.

A estrutura sindical, afeta à CGTP, defende por isso a demissão do executivo liderado por Pedro Passos Coelho.

"A greve que está em cima da mesa pretende ser uma grande greve da administração pública e tem um peso muito significativo no sentido de fazer esse caminho para a demissão do Governo", sublinhou a dirigente sindical.

O agravamento dos cortes para os funcionários públicos levou os sindicatos da UGT e da CGTP a convocarem uma greve que poderá levar, na sexta-feira, ao encerramento de escolas, tribunais, finanças e deixar o lixo por recolher nas ruas.

A Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública (CGTP), a Federação Sindical da Administração Pública (UGT) e o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (UGT) são unânimes relativamente às perspetivas de adesão ao protesto: a paralisação deverá contar com uma forte adesão tendo em conta a indignação demonstrada pelos trabalhadores.

A greve de sexta-feira dos funcionários públicos foi marcada pelas estruturas sindicais do setor como forma de protesto contra novos cortes salariais e de pensões e o aumento do horário de trabalho, entre outras medidas.

A proposta de lei do Orçamento do Estado (OE2014) entregue dia 15 de outubro no Parlamento pela ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, prevê que seja "aplicada uma redução remuneratória progressiva entre 2,5% e 12%, com caráter transitório, às remunerações mensais superiores a 600 euros de todos os trabalhadores das Administrações Públicas.

O subsídio de Natal dos funcionários públicos e dos aposentados, reformados e pensionistas vai ser pago em duodécimos no próximo ano, segundo a proposta de OE2014, que mantém a aplicação da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) sobre as pensões.

No documento, o Governo refere que o défice orçamental deste ano vai resvalar para os 5,9% do PIB, superando os 5,5% definidos para 2013 entre o Governo e a 'troika' (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) e confirma as previsões macroeconómicas, apontando para um crescimento económico de 0,8% e uma taxa de desemprego de 17,7% em 2014.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG