Frente Comum acusa Governo de beneficiar trabalhadores das Finanças e esquecer outros

A Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública acusou hoje o Governo de beneficiar os trabalhadores que apoiam o Ministério das Finanças com a criação de uma carreira especial e esquecer as carreiras específicas que continuam por rever.

"Esta carreira especial é para o pessoal de apoio ao Ministério das Finanças, porque o Governo percebeu a sua importância, porque fazem um trabalho importantíssimo para a elaboração do Orçamento do Estado ou do controlo da dívida, mas a par destes trabalhadores existem muitos outros com funções muito específicas e que não são abrangidos pela proposta do Governo", disse a coordenadora da Frente Comum.

Ana Avoila referiu, em conferência de imprensa, os trabalhadores da Autoridade Tributária ou das alfândegas, entre outros, que aguardam a negociação de uma carreira específica.

A sindicalista lembrou que o Governo integrou as carreiras específicas subsistentes da tabela remuneratória única com o compromisso de as negociar posteriormente.

O Ministério das Finanças enviou na terça-feira aos sindicatos da Função Pública uma proposta para que os técnicos superiores da Direção-Geral do Orçamento, da Direção-Geral do Tesouro e Finanças e do Gabinete de Planeamento transitem para uma nova "carreira de regime especial, denominada carreira técnica superior do MF [Ministério das Finanças]".

"O princípio é positivo mas queremos que esta carreira abranja mais trabalhadores e exigimos que, ao mesmo tempo, sejam descongeladas as carreiras e os salários", defendeu Ana Avoila.

A sindicalista considerou que o Governo não pode fazer uma carreira especial para abranger apenas 300 trabalhadores das Finanças e esquecer todos os outros que, em vários setores, desempenham funções específicas e que aguardam a revalorização da sua carreira.

A proposta legislativa do Governo prevê um reposicionamento remuneratório dos trabalhadores que vão integrar a nova carreira, que garante um acréscimo de pelo menos 52 euros.

A medida é justificada com a "notória dificuldade em recrutar" técnicos para as três direções-gerais dada "a elevada exigência" das funções, "não compatível com uma carreira de regime geral".

Os sindicatos da Administração Pública vão discutir a proposta legislativa com o Governo numa reunião convocada para dia 14 pelo Ministério das Finanças.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG