Francisco Louçã contra eventual redução de salários

O ex-líder do BE Francisco Louçã criticou na quinta-feira à noite, em Guimarães, uma eventual redução de salários e acusou o Governo de ter em curso "uma estratégia de destruição económica" perante a "passividade" do Presidente da República.

"Quando o primeiro-ministro diz que até gostaria de baixar o salário mínimo e quando ouvimos hoje [quinta-feira] António Borges confirmar que os salários têm de baixar, percebemos que há uma estratégia de destruição económica em que o aumento do pagamento dos impostos, o aumento dos custos da saúde e, sobretudo, a baixa dos salários e das pensões são vistas como a solução para o país", afirmou.

Em entrevista à Rádio Renascença, na quinta-feira, o consultor do Governo António Borges disse que numa situação de emergência como a que vive Portugal, com uma taxa de desemprego superior a 17%, "o ideal era que os salários descessem, como aconteceu noutros países como solução imediata para resolver o problema do desemprego", mas defendeu que "a única medida que se podia tomar nesta altura é manter o salário mínimo como está".

Falando num debate em Guimarães sobre "Portugal, o mundo e a crise - Porque é importante não ficar calado", Francisco Louçã lembrou que o salário mínimo nacional é "o mais baixo da zona euro", para alertar que "baixá-lo ou mantê-lo tão apertado" é agravar ainda mais os problemas das pessoas.

Louça disse que isto acontece ao mesmo tempo que o setor financeiro "teve lucros fabulosos", com o BES a arrecadar 800 milhões de euros com os títulos da dívida pública portuguesa e o BPI 170 milhões.

"Há dinheiro a mais em Portugal, não há é nas pensões e nos salários, não há é no salário mínimo", criticou o ex-líder do Bloco de Esquerda.

Para Louçã, estar a "afundar a economia, depois de dois anos de crise tão dramática e com mais de um milhão de desempregados, é uma solução cínica e cruel".

"É uma economia cruel, que tenho a certeza vai correr mal. Vai ser necessário novos aumentos de impostos para responder à queda fiscal provocada pela crise que o Governo desenvolve", disse.

Para o ex-coordenador do Bloco, o problema de Portugal é "o Governo e a 'troika'", pelo que defendeu ser "fundamental demitir um e correr com a outra".

Quanto ao Presidente da República, Louçã acusou Aníbal Cavaco Silva de sempre escolher "não fazer nada", insistindo que a crise "é sistémica".

"Todas as medidas que o Governo e a 'troika' tomam acentuam a crise, mas o Presidente da República escolhe sempre não fazer nada", acrescentou.

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