Fosun indisponível para subir proposta pelo Novo Banco

Grupo chinês convidado pelo BdP para negociar de forma exclusiva pode não comprar tudo e dispersar capital em bolsa.

O preço continua a ser o principal critério de escolha para o Banco de Portugal decidir a venda do Novo Banco (NB). No entanto, os chineses da Fosun mostram-se pouco flexíveis e sem abertura para fazer subir a oferta, apurou o DN/Dinheiro Vivo. Depois de falhado o acordo com os chineses da Anbang, os também chineses da Fosun foram chamados a negociar de forma privada com o Banco de Portugal. Mas, ao que tudo indica, muito dificilmente Carlos Costa verá a proposta subir. No início de agosto, o regulador já tinha chamado os três candidatos - Anbang, Fosun e Apollo - para que subissem a parada, mas apenas os norte-americanos da Apollo reviram em alta a sua oferta.

Apesar de não mostrar disponibilidade para pagar mais pelo NB - o que preocupa o Banco de Portugal, que quer minimizar a perda face aos 4,9 mil milhões injetados na instituição liderada por Stock da Cunha -, a Fosun irá mostrar vários cenários ao regulador. Entre eles a possibilidade de arrematar menos de 100% da instituição. Esta solução está contemplada no caderno de encargos que regula a venda, mas obriga os restantes bancos - que formam o Fundo de Resolução que entrou com mil milhões de euros - a manterem-se como acionistas durante mais algum tempo.

O grupo chinês prevê, ainda assim, uma solução o capital que ainda vai ficar nas mãos do Fundo de Resolução através de uma dispersão em bolsa. Por um lado, esta solução permite um reembolso do dinheiro adiantado pelos bancos quando da divisão do BES e minimizar o impacto financeiro que lhes possa causar. E ao mesmo tempo dá margem ao grupo chinês para avançar com menos dinheiro à cabeça pela compra do Novo Banco e guardar uma parte para resolver contingências futuras, tais como eventuais aumentos de capital que o BCE venha a exigir.

Entre os problemas que já bloquearam o acordo com a Anbang, e que estão de novo em cima da mesa, está a questão dos lesados do papel comercial, que custam cerca de 530 milhões de euros, e outros processos jurídicos, como o interposto pelo Goldman Sachs, que poderá ter um impacto de 700 milhões nas contas do futuro dono do NB. As próprias contas do NB também preocupam, até porque o prejuízo de 252 milhões foi superior ao esperado pelos chineses e pelo mercado.

Apesar de o valor da proposta da Fosun ser inferior ao da Anbang, os analistas consideram que estará mais bem posicionada face à Apollo, motivo que terá levado o Banco de Portugal a chamar o conglomerado chinês em detrimento do fundo norte-americano. "A Fosun é o player mais racional, por ser menos emotivo, ao não ter revisto o preço em alta", afirmou um analista do setor que não quis ser identificado. O analista salienta que "a proposta da Apollo poderá não interessar, uma vez que poderá passar por uma reorganização e por despedimentos para uma futura venda do NB. Ou seja, além do preço, o Banco de Portugal também está preocupado com o plano estratégico proposto".

Da parte do governo mantém-se a confiança na decisão que Carlos Costa venha a tomar. "Creio que existe no governo total confiança de que o BdP saberá conduzir este processo com competência, ao qual compete a decisão em matéria tão delicada", afirmou ontem Pires de Lima. O ministro da Economia qualifica de "desejável" que o NB conheça o seu futuro acionista "mais cedo do que tarde, para que este período de incerteza possa ter um epílogo o mais breve possível".

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