Fomos completamente enganados por alguns acionistas da SLN

O ex-administrador do Banco Português de Negócios (BPN) Meira Fernandes afirmou hoje que a sua equipa, liderada pelo ex-ministro Miguel Cadilhe, foi "completamente enganada" por alguns dos acionistas da Sociedade Lusa de Negócios (SLN).

A acusação de Meira Fernandes, membro da administração da anterior nacionalização do banco, foi feita depois de uma pergunta formulada pelo deputado do PCP Honório Novo, durante a comissão de inquérito parlamentar sobre o BPN.

Meira Fernandes começou por dizer que a sua equipa, após a nacionalização do BPN, estava com más relações com o Banco de Portugal, com o então ministro das Finanças, Teixeira dos Santos e com a Caixa Geral de Depósitos (CGD).

"Apesar de sermos considerados pessoas com muita experiência fomos completamente enganados. Fomos também enganados por alguns dos seus acionistas", disse, numa alusão ao facto de a sua equipa desconhecer o teor de um documento intitulado "estado da Nação" sobre a situação do grupo.

De acordo com Meira Fernandes, a sua equipa entendia que a SLN deveria opor-se à nacionalização do BPN proposta pelo Governo, apresentando duas ações, uma delas sobre os critérios de avaliação do valor patrimonial do banco para efeitos de indemnização.

"Mas alguns acionistas entenderam que isso não seria bom, porque demorava anos e criava maiores dificuldades. A certa altura apercebemo-nos que a SLN não veria com maus olhos se nós saíssemos, porque preferiam pôr pessoas eventualmente mais competentes e mais flexíveis (no sentido de saber negociar)", disse.

Em síntese, segundo este administrador, como a sua equipa não era flexível - "em termos técnicos três é sempre maior do que dois" - e era empregada dos acionistas, entendeu-se que o melhor era pedir a demissão.

"Ninguém chorou. Presumo que eles [acionistas da SLN] não ficaram tristes por nós termos saído", acrescentou.

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