FMI quer idade da reforma proporcional a esperança de vida

O Fundo Monetário Internacional (FMI) defendeu hoje o aumento da idade de reforma em um ano sempre que a esperança média de vida aumentar por igual período, como solução para evitar a rutura dos sistemas de pensões.

José Viñals, diretor do departamento do FMI para os mercados monetário e de capitais, alertou hoje, em conferência de imprensa em Washington, que a "longevidade das pessoas foi consistentemente subestimada no passado".

"Precisamos de nos preocupar desde já com os riscos da longevidade futura, temos de começar a ajustar-nos agora para que os custos não nos assoberbem mais tarde", afirmou hoje o responsável do FMI na atualização da primavera de um dos capítulos do Relatório sobre a Estabilidade Financeira Global.

Além do impacto económico do envelhecimento da população, o aumento da esperança média de vida traz "os custos financeiros e orçamentais adicionais das pessoas viverem mais do que o esperado" e o espectro de os pensionistas poderem "ficar sem dinheiro chegados à reforma".

Segundo Laura Kodres, adjunta de Viñals, "quase todos os países têm continuamente subestimado, em média em 3 anos" a longevidade das suas populações e a dimensão do problema atinge hoje os "biliões de dólares".

Este é o custo de um "problema individual de finanças de reforma multiplicado por biliões vezes", estimado em 50 por cento do PIB de 2010 nas economias avançadas e 25 por cento do mesmo indicador nas emergentes, pelo que se exigem soluções imediatas, mesmo quando a situação "não está na primeira página" dos assuntos financeiros, adiantou.

"Quanto mais tempo for ignorado o risco longevidade, mais difícil se torna resolver. O tempo de agir é agora", disse Kodres.

Além de recorrer mais aos mercados financeiros para "transferir riscos" através de estratégias e instrumentos próprios, existe a solução "eficaz" de "encorajar as pessoas a trabalhar mais", que pode ser alcançada ligando a idade de reforma a desenvolvimentos esperados na longevidade".

Erik Oppers, autor do capítulo do Relatório sobre a Estabilidade Financeira Global sobre o tema, aponta como "regra geral relativamente especifica", fazer corresponder a um aumento da longevidade em um ano, igual aumento da idade de reforma.

"Pode ser um guia prático muito bom e espera-se que automático nalguns casos", afirmou Oppers.

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