Faltam áreas urbanas médias em Portugal

Metade das dez maiores cidades estão à volta de Lisboa. E embora seja a segunda capital europeia que mais se desertificou, a região é a 14.ª mais populosa da UE. Braga é a que mais cresceu

Veja a infografia interativa

Veja o gráfico em página inteira

No ranking das cidades mais populosas de Portugal, metade estão junto a Lisboa. E, embora tenha sido a segunda capital da União Europeia que mais se desertificou nos últimos anos (perdeu 20% dos habitantes), o crescimento à volta "eleva a região ao 14.º lugar" das mais populosas da UE. Mas a maioria das grandes cidades perdeu população nestes 20 anos. Vila Nova de Gaia e Braga estão em contraciclo, e a última passou do 9.º para o 5.º lugar. O Porto também perdeu e, proporcionalmente, mais do que Lisboa. Faltam "áreas mediamente urbanas", sublinha o estudo, que pronunciam um "modelo mais equilibrado e sustentável". O peso da população em "áreas mediamente urbanas" na UE é de 36%. Em Portugal é de 15%. A classificação de "predominantemente" e "mediamente urbanas" depende da população de cada freguesia (acima ou abaixo dos cinco mil habitantes) e do concelho onde se insere.

O grupo das dez maiores cidades (ver gráfico) manteve-se nos últimos 20 anos, período em que as cidades passaram de 88 para 158. Destas, 70 têm menos de 20 mil habitantes ou 20 a 50 mil. São estas que mais contribuem para o crescimento da população urbana. Portugal é o sexto Estado com mais população em áreas urbanas, depois de Malta, Reino Unido, Holanda, Bélgica e Espanha. "Os fenómenos de "betonização" e de "asfaltamento" do território aumentaram em 50% a quota do solo construído no Continente entre 1990 e 2006", realçam os autores do estudo.

A população manteve-se estável nos dez milhões, apesar de o saldo natural ser negativo (diferença entre óbitos e nascimentos). O demógrafo Leston Bandeira diz que dois fatores compensaram a quebra: "A vinda dos cidadãos dos países africanos de língua portuguesa após o 25 de Abril [600 mil] e o incremento da imigração nos últimos 20 anos." Este último fenómeno é visível em Lisboa, incluindo Alentejo Central, Alentejo Litoral, Lezíria do Tejo, Médio Tejo, Oeste, Península de Setúbal e Pinhal Litoral. Já no Porto, incluindo Ave, Cávado, Entre Douro e Vouga e Tâmega, é a natalidade que tem contribuído para o crescimento. "A fecundidade sempre foi mais alta no Norte até à década de 80. A população do Sul começou a usar contraceção mais cedo. Na década de 90 houve uma inversão. Lisboa, a Península de Setúbal e Algarve apresentaram um IF mais elevado (filhos por mulher em idade fértil), o que se deve à imigração", explica Leston Bandeira. Com a imigração em queda, os próximos 20 anos serão "muito desfavoráveis em relação a qualquer dinâmica demográfica".

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG