Ex-diretora financeira do BES diz que Morais Pires "renegou" 18 anos de trabalho em conjunto

Isabel Almeida, que foi entretanto constituída arguida, está a ser ouvida hoje na comissão de inquérito parlamentar à gestão do banco.

A ex-diretora financeira do BES Isabel Almeida disse hoje que o antigo administrador financeiro do banco Amílcar Morais Pires "renegou" 18 anos de trabalho em conjunto em declarações tidas no parlamento.

"Falei com ele [Morais Pires] em julho e ele renegou os 18 anos que trabalhamos juntos", sustentou a responsável, que está a ser ouvida desde manhã na comissão de inquérito à gestão do Banco Espírito Santo (BES) e do Grupo Espírito Santo (GES).

Isabel Almeida reiterou a sua visão de que Amílcar Morais Pires, a quem reportava, tinha conhecimento e dava instruções para todas as tomadas de decisões, e acrescentou: "A mim não me chocou o depoimento do dr. Morais Pires na comissão, porque já me tinha chocado uns meses antes", disse, referindo-se ao tal "renegar" do trabalho em conjunto.

"Ele era um CFO [administrador financeiro] muito presente, muito interessado nos assuntos do banco, tinha enorme confiança nele. O julgamento que faço é perante a atitude dele perante mim e o departamento que ele liderou", sustentou.

Sobre Ricardo Salgado, antigo presidente executivo do BES, e a sua audição na mesma comissão Isabel Almeida disse nunca ter ouvido tantos "elogios públicos" de Salgado como ouviu "na televisão naquele dia".

"Quero acreditar que foi genuíno", prosseguiu.

A audição de Isabel Almeida arrancou cerca das 09:00, foi interrompida pelas 13:30 para almoço e retomou uma hora depois, antecedendo a presença no parlamento de António Souto, ex-administrador do BES, que ainda hoje estará junto dos deputados a prestar depoimentos.

Mesmo sendo arguida grupo no âmbito do processo relativo ao universo Espírito Santo, Isabel Almeida está a ser ouvida à porta aberta, embora com limitações em diversos temas.

A comissão de inquérito arrancou a 17 de novembro passado e tem um prazo total de 120 dias, que pode eventualmente ser alargado.

Os trabalhos dos parlamentares têm por intuito "apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos e as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo do GES, designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades".

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