EUA reforçam apoio a ajustamento português

Os Estados Unidos reforçaram quarta-feira o seu apoio ao programa de ajustamento português, numa reunião semestral da comissão bilateral em que foi discutida a crise na zona euro, disse hoje à agência Lusa fonte ligada ao processo.

A 31.ª reunião da Comissão Bilateral Permanente Portugal-Estados Unidos, que teve lugar em Washington, foi aberta pelo secretário adjunto do Departamento de Estado para os Assuntos Europeus, Philip Gordon, e contou com a presença do diretor geral de Política Externa português, Rui Macieira.

Segundo fonte ouvida pela Lusa, foi discutida entre ambas as partes a situação económica na zona euro, tal como já tinha acontecido nas reuniões anteriores, tendo a parte norte-americana manifestado "apoio" em relação ao programa de ajustamento financeiro a ser implementado em Portugal.

Outra questão em foco foi o programa de cooperação entre universidades portuguesas e norte-americanas na área de ciência e tecnologia, envolvendo instituições de ensino como Carnegie Mellon ou Massachusetts Institute of Technology, cujo prolongamento está dependente de decisão oficial do Governo português.

Durante a reunião de mais de quatro horas, foram ainda discutidos vários assuntos da agenda política internacional, nomeadamente sobre o Afeganistão e Síria, em que para os Estados Unidos é importante o apoio de Portugal no Conselho de Segurança.

Com a presença dos embaixadores dos dois países, Nuno Brito e Allan Katz, respetivamente, foi abordada ainda a situação na Guiné-Bissau, em que os dois países estão "de acordo quanto ao objetivo de restabelecer normalidade democrática", segundo a mesma fonte, embora venham divergindo em relação à legitimidade de negociar com o Governo saído do golpe de 12 de abril.

Nas próximas semanas e meses vão continuar negociações em torno de duas importantes questões da agenda bilateral - a redução da presença norte-americana da Base das Lajes, nos Açores, e o acordo de partilha de dados com os Estados Unidos sobre suspeitos de terrorismo, necessário para Portugal se manter no programa de isenção de vistos.

Em causa está um acordo ao abrigo da diretiva presidencial de segurança interna norte-americana HSPD-6, que requer a partilha de informação de terroristas ou suspeitos de terrorismo, já concluído com 24 dos 36 países que pertencem ao programa de isenção de vistos.

De acordo com a mesma fonte, as negociações "têm vindo a evoluir", mas ainda não estão concluídas.

Outras questões bilaterais hoje discutidas foram a partilha de informação em relação à criminalidade e segurança e ainda o comércio bilateral e investimento.

Nas próximas horas, as duas partes deverão divulgar um comunicado oficial sobre a reunião.

A anterior reunião da comissão bilateral, a 6 de dezembro passado, teve lugar em Portugal e foi aberta pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas.

Seguiu-se a dois encontros de alto nível entre os presidentes Cavaco Silva e Barack Obama, em novembro de 2011, e dos chefes da diplomacia dos dois países, Portas e Hillary Clinton, em setembro.

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